A Justiça concedeu medida protetiva para a moradora que foi ameaçada com uma arma de fogo por um vizinho no Centro Histórico de Porto Alegre. O episódio ocorreu após uma discussão motivada pela retirada de uma bandeira partidária exposta na janela de um apartamento. O caso ganhou repercussão após a circulação de imagens em vídeo que mostram o momento da abordagem.
Policiais civis cumpriram diligências na residência do investigado e realizaram a apreensão de uma pistola e 40 munições. A investigação busca esclarecer todas as circunstâncias do atrito entre os moradores do prédio, localizado na capital gaúcha, que envolveu manifestações políticas, desacordo sobre pertences e o uso de armamento.
A dinâmica do conflito no Centro Histórico
O desentendimento começou quando uma bandeira do PT foi retirada da janela de um apartamento. A moradora Raphaela de Souza relatava que estava em casa exibindo o material quando percebeu o sumiço do objeto, que teria sido puxado pelo vizinho do andar inferior.
Acompanhada da companheira, a moradora decidiu descer até o imóvel do vizinho para reaver a bandeira. Temendo a reação, uma delas iniciou a gravação em vídeo no celular. Nas imagens que circularam na internet, é possível ver o morador abrindo a porta já com uma arma de fogo em punho, realizando movimentos para engatilhar o equipamento.
Versões divergentes sobre a abordagem
As explicações apresentadas pelos envolvidos apontam narrativas distintas sobre a escalada da tensão no prédio. Enquanto a moradora afirma ter sido surpreendida com uma ameaça letal ao pedir a devolução do item, o morador apresenta outra leitura do ocorrido.
O vizinho, identificado como tenente-coronel da reserva, alegou que havia barulhos excessivos vindos do andar superior durante a noite. Segundo o relato do militar reformado, a bandeira estaria sendo usada para bater contra a janela dele, motivo pelo qual puxou o objeto para fora e o descartou na rua. Ele também sustentou que atendeu ao chamado na porta com a arma por precaução após ouvir alertas de que as mulheres iriam até o seu pavimento, negando qualquer intenção de agressão direta.
Desdobramentos policiais e judiciais
A Brigada Militar atendeu a ocorrência inicialmente e registrou um Termo Circunstanciado, colhendo o depoimento das partes e conferindo a documentação legal da arma apresentada pelo morador. Com o avanço do caso na esfera civil e policial, a concessão da medida protetiva impõe restrições de aproximação, enquanto as autoridades dão continuidade à apuração dos fatos.
Após o episódio, as moradoras deixaram temporariamente o apartamento onde residem e buscaram abrigo na casa de parentes, relatando temor diante da gravidade da situação vivenciada no condomínio.

