A decisão do Supremo Tribunal Federal de prorrogar o horário de votação do segundo turno das eleições de 2026 até as 19h, neste domingo (25), pode provocar uma nova disputa judicial após a divulgação dos resultados. A avaliação é do professor e advogado especializado em Direito Público Lucas Fernandes, que aponta riscos de questionamentos sobre a igualdade de condições entre os eleitores e a regularidade do processo eleitoral.
Segundo Fernandes, a ampliação do horário representa uma situação atípica na história recente das eleições brasileiras, principalmente pela dificuldade de executar uma determinação dessa magnitude em todo o território nacional. A situação verificada é absolutamente incomum e sem registros recentes de extensão de prazo por mais de duas horas.
Dificuldade operacional gera insegurança jurídica
Para Lucas Fernandes, um dos principais problemas foi o momento em que a decisão foi divulgada, próximo ao horário originalmente previsto para o encerramento da votação. O advogado destaca que a estrutura da Justiça Eleitoral, distribuída pelos 26 estados e pelo Distrito Federal, torna complexa a comunicação imediata de uma mudança dessa dimensão.
As diferenças entre seções que já haviam encerrado os trabalhos e aquelas que permaneceram abertas criaram dúvidas sobre o alcance da determinação. Fernandes avalia que as dificuldades de implementação da medida podem servir de fundamento para questionamentos posteriores sobre a regularidade do pleito.
Resultado da eleição pode ser questionado
Na avaliação do especialista, a possibilidade de contestação judicial é um dos principais desdobramentos da prorrogação. O professor ressalta, porém, que não há precedentes específicos recentes que permitam antecipar como a Justiça Eleitoral e o STF poderão avaliar eventuais reclamações relacionadas à ampliação do horário.
Entre os pontos que podem ser discutidos estão a existência de prejuízos concretos aos eleitores, a igualdade de condições da disputa e a possibilidade de irregularidades capazes de afetar a validade da votação. A eventual apresentação de ações judiciais, entretanto, não significa que o resultado será anulado automaticamente.
Restrições ao transporte também precisam ser investigadas
Outro aspecto destacado pelo advogado é a necessidade de apurar possíveis dificuldades impostas ao deslocamento dos eleitores durante o segundo turno. De acordo com Fernandes, é preciso investigar se houve restrições intencionais ao acesso ao transporte público e verificar se a extensão do horário provocou prejuízo à igualdade de condições.
O professor afirma que essas duas questões deverão ser analisadas de maneira independente, considerando seus possíveis efeitos sobre o cenário político. A apuração dos fatos será determinante para definir os próximos passos no âmbito legal.
Judicialização das eleições preocupa especialista
Fernandes também chama a atenção para o aumento da participação do Poder Judiciário em decisões relacionadas às campanhas e à organização do pleito. Segundo ele, questões administrativas passaram a ser frequentemente submetidas à apreciação judicial, ampliando a influência dos tribunais sobre o processo.
Na avaliação do especialista, a decisão de prorrogar a votação reforça essa tendência de intervenção. Os desdobramentos dependerão da postura adotada pelas autoridades competentes diante dos questionamentos das campanhas.

