Rio Grande do Sul vota no candidato derrotado em sete de nove eleições presidenciais

Rio Grande do Sul vota no candidato derrotado em sete de nove eleições presidenciais

Rio Grande do Sul

Enquanto o estado de Minas Gerais carrega a fama histórica de sempre acertar o vencedor nas disputas pela Presidência da República, o Rio Grande do Sul construiu uma trajetória política inversa. Os eleitores gaúchos votaram majoritariamente no candidato derrotado em sete das nove eleições presidenciais realizadas desde a redemocratização brasileira, consolidando uma marca de independência nas urnas estaduais.

Em apenas dois pleitos nacionais ao longo desse período a maioria do eleitorado do estado escolheu o concorrente que acabou conquistando o Palácio do Planalto. O primeiro caso ocorreu em 2002, quando Lula obteve a vitória no primeiro mandato presidencial. Anos mais tarde, em 2018, o estado contribuiu diretamente para a vitória de Jair Bolsonaro, filiado na época ao antigo PSL.

A tradição histórica iniciada com Leonel Brizola em 1989

Essa singularidade eleitoral teve início logo na primeira disputa presidencial pós-Constituinte de 1988. No ano de 1989, o cenário político nacional foi marcado por uma ampla pulverização de candidaturas. No Rio Grande do Sul, contudo, a preferência concentrou-se fortemente na figura de Leonel Brizola, ex-governador que desfrutava de forte apelo popular na região e alcançou 62,66% dos votos válidos.

Embora tenha mobilizado mais de 3.200.000 eleitores gaúchos, Brizola ficou de fora do segundo turno, que acabou sendo disputado entre Fernando Collor de Mello e Lula. Mesmo assim, o estado foi uma das quatro unidades da federação onde o petista liderou na primeira etapa daquela eleição, repetindo tendências de voto que se manifestariam em pleitos futuros.

Sequência de divergências e alinhamentos nas urnas gaúchas

Ao longo das décadas seguintes, o comportamento do eleitorado do Rio Grande do Sul continuou a divergir do resultado final em diversas ocasiões cruciais para a política nacional. A preferência por nomes derrotados no panorama geral incluiu votações expressivas em pleitos marcados por forte polarização e debates intensos em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral.

A série histórica de divergências com o resultado nacional inclui:

  • Votação majoritária em Lula nos anos de 1994 e 1998
  • Preferência por Geraldo Alckmin em 2006
  • Apoio a José Serra em 2010
  • Escolha por Aécio Neves em 2014
  • Resultados favoráveis a Jair Bolsonaro em 2022
  • Vitória de Flávio Bolsonaro em 2026

O cenário recente e a disputa em 2026

Na disputa presidencial mais recente, realizada em 2026, Flávio Bolsonaro garantiu a liderança nas urnas do Rio Grande do Sul ao alcançar 57,84% dos votos válidos. O adversário Lula registrou 42,16% do total no estado, mantendo a tradição histórica gaúcha de divergir do desfecho consolidado na contagem geral de votos em todo o território nacional.