O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta quarta-feira (28) uma nota oficial para desmentir boatos sobre uma suposta operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF) em endereços ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os rumores ganharam força após a recente derrota do parlamentar na disputa pela Presidência da República contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o comunicado emitido pela Corte máxima do país, a informação veiculada na imprensa e nas redes sociais carece totalmente de veracidade. O órgão judiciário reforçou que não existe nenhuma decisão judicial proferida nesse sentido, descartando qualquer realização de diligência policial ou mandado de busca direcionado ao senador ou às suas propriedades.
Esclarecimento oficial e repercussão
A manifestação pública do Supremo Tribunal Federal ocorreu logo após circulares jornalísticas apontarem uma movimentação de agentes federais em uma mansão localizada no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, que seria de uso do parlamentar. A rápida propagação da notícia gerou grande repercussão no cenário político nacional, exigindo um posicionamento imediato do tribunal.
A falsa expectativa de uma nova investida policial aconteceu em meio a um momento de intensa turbulência jurídica e política envolvendo a família Bolsonaro. Apenas dois dias antes, o pleito eleitoral consolidou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva com uma vantagem superior a 4,4 milhões de votos no segundo turno.
Contexto de restrições e saída do país
O episódio atual se insere em uma série de desdobramentos judiciais envolvendo o senador. A restrição de circulação imposta pelo ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes do parlamentar, após alertas da Polícia Federal sobre um risco iminente de evasão do território nacional logo após a apuração das urnas.
Na segunda-feira (27), Flávio Bolsonaro foi pessoalmente abordado por agentes federais ao sair da residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre pena em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Na ocasião, o senador gravou e publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que entregaria os documentos voluntariamente e que enfrentaria as acusações perante o STF.
Apesar da promessa pública de cooperação com a Justiça, o cenário mudou drasticamente na terça-feira (27). Informações oficiais apontam que o parlamentar burlou a proibição judicial ao cruzar a fronteira terrestre com a Argentina, seguindo posteriormente em um voo particular com destino aos Estados Unidos.
Investigações em andamento no STF
Mesmo com a saída do senador do território brasileiro, as apurações conduzidas pela Suprema Corte mantêm o seu curso normal. As investigações sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes abrangem suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, envolvendo também o advogado Willer Tomaz, que teria deixado o país antes mesmo do término da eleição.
Paralelamente, o parlamentar responde a outro inquérito no Supremo, sob a relatoria do ministro André Mendonça, relacionado às apurações em torno do Banco Master. Nesse processo, investiga-se um suposto pedido de recursos financeiros ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro destinado à produção de uma obra cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

