Estratégia do Santander para ROE acima de 20% cobra preço no curto prazo

Estratégia do Santander para ROE acima de 20% cobra preço no curto prazo

Economia

O principal desafio do Santander Brasil (SANB11) neste momento passa por recuperar a rentabilidade sem abrir mão da estratégia que pressiona os resultados no curto prazo. A instituição financeira aposta em emprestar de forma mais seletiva, reduzir a exposição a clientes de maior risco e direcionar capital para segmentos considerados mais rentáveis no longo prazo.

Na teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26), o novo CEO do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, reconheceu que o banco ainda está longe do resultado ideal. O lucro líquido recorrente caiu 28% em um ano, totalizando R$ 2,9 bilhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROE) recuou a 11,9%.

Segundo o executivo, o desempenho reflete tanto o cenário macroeconômico, marcado por juros elevados e endividamento de famílias e empresas, quanto o processo interno de rebalanceamento da carteira de crédito.

A busca do Santander pelo ROE acima de 20 por cento

Uma das principais questões levantadas pelos analistas foi como a instituição pretende sair do atual patamar de rentabilidade e alcançar o objetivo de manter um ROE sustentável acima de 20%. Questionado sobre oportunidades para recuperar resultados, Finkelsztain afirmou que o banco vai reforçar a presença em setores nos quais vê espaço para conquistar participação de mercado.

Entre os alvos estão clientes de alta renda, grandes empresas e negócios voltados para o banco de investimento e atacado. Nas grandes companhias, a ideia é alocar capital diretamente em estruturas complexas, enquanto entre pequenas e médias empresas o foco recai sobre a relação comercial ampla, usando o crédito como suporte secundário.

Margens menores e o impacto do spread no balanço

A mudança no perfil da carteira explica por que a disciplina operacional ainda não se traduziu em uma recuperação mais robusta dos resultados financeiros. No terceiro trimestre, o spread com clientes recuou 33 pontos-base, atingindo 9,70%, refletindo efeitos de captação e maior seletividade na concessão de novos financiamentos.

Existe também um fator estrutural em curso: clientes de alta renda e empresas sólidas costumam oferecer spreads menores que operações arriscadas. À medida que os contratos antigos de maior retorno vencem, são substituídos por novas frentes ajustadas ao risco, o que comprime a margem média no período de transição.

Inadimplência e os desafios no agro e baixa renda

Apesar da reformulação do portfólio, o cenário de crédito ainda exige cautela redobrada da diretoria. Durante a apresentação, o CFO Carlos Muñiz apontou que o banco observa pressão contínua no agronegócio, nas PMEs e em clientes de baixa e média renda sem garantias robustas.

Para mitigar perdas, o banco endureceu critérios em renegociações de dívidas, exigindo entradas em dinheiro ou garantias adicionais. A postura rígida tende a pressionar os indicadores no curto prazo, mas busca blindar a qualidade dos futuros contratos da instituição financeira.

Cortes de custos e expansão do relacionamento

Enquanto reorganiza o crédito, a gestão tenta preservar a eficiência operacional. No terceiro trimestre, as despesas cresceram abaixo da inflação, permitindo que o índice de eficiência encerrasse o período em 38,8%, abrindo espaço para investimentos contínuos em tecnologia e simplificação de processos.

A base de clientes chegou a 76,9 milhões, alta de 6% em 12 meses, mas o foco central permanece em transformar o banco na instituição financeira principal desses correntistas por meio de iniciativas como o programa de recompensas Santander Rewards.