CBF aciona Ministério Público contra presidente da Gaviões da Fiel após declarações sobre arbitragem

CBF aciona Ministério Público contra presidente da Gaviões da Fiel após declarações sobre arbitragem

Esporte

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) solicitou ao Ministério Público do Estado de São Paulo a abertura de uma investigação criminal contra Alexandre Domênico, conhecido como Alê, presidente da torcida organizada Gaviões da Fiel. A medida foi motivada por publicações feitas pelo líder corinthiano nas redes sociais com declarações consideradas intimidadoras direcionadas à arbitragem brasileira.

O caso ganhou repercussão após o dirigente divulgar mensagens no Instagram afirmando que a torcida tem conhecimento sobre os locais onde as equipes de arbitragem se hospedam antes dos confrontos. A entidade máxima do futebol nacional enxergou risco direto à integridade dos profissionais de arbitragem e acionou os órgãos de Justiça para garantir a segurança das partidas.

Representação criminal enxerga intimidação e incitação à violência

Na representação protocolada junto ao Ministério Público paulista, a CBF argumentou que o conteúdo divulgado ultrapassou os limites do direito de manifestação crítica. Segundo a entidade, as falas de Alexandre Domênico podem ser enquadradas nos crimes de ameaça e incitação ao crime, previstos no Código Penal, além de incitação à violência em eventos esportivos, conduta tipificada pela Lei Geral do Esporte.

Entre os pedidos apresentados à Justiça, a confederação exige a adoção imediata de providências preventivas para resguardar a arbitragem durante os compromissos do Corinthians no Campeonato Brasileiro. A lista de solicitações inclui:

  • Reforço na segurança em estádios, hotéis e nos trajetos das equipes de arbitragem;
  • Preservação dos dados digitais da publicação objeto da denúncia;
  • Depoimento oficial dos dirigentes da Gaviões da Fiel;
  • Aplicação de medidas cautelares para proibir o presidente da organizada de frequentar estádios ou se aproximar dos árbitros;
  • Apuração sobre o vazamento de informações sigilosas a respeito da hospedagem dos juízes.

Mensagem sobre hospedagem de árbitros motivou ação institucional

A controvérsia teve início quando Alê utilizou seu perfil pessoal para publicar um desabafo sobre decisões da arbitragem em partidas recentes do Corinthians. Na ocasião, o representante da organizada afirmou que a cota de erros contra o clube estaria esgotada e mencionou ter conhecimento dos hotéis onde os juízes se concentram.

Apesar de ter escrito que a publicação não configurava uma ameaça, o dirigente acrescentou que a situação havia se tornado insustentável para conter o descontentamento da torcida. A gravidade do tom levou o Ministério Público a se reunir previamente com o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Mauro Silva, resultando na emissão de um ofício que concede prazo de cinco dias para Alexandre Domênico se manifestar formalmente.

Dirigente alega desabafo de torcedor e nega intenção de ameaça

Em nota oficial enviada para esclarecer o ocorrido, o presidente da Gaviões da Fiel argumentou ter agido de cabeça quente e na condição de torcedor, sem representar a entidade corinthiana no momento da postagem. Ele defendeu que a expressão utilizada reflete o sentimento de indignação acumulado por milhões de entusiastas do clube.

O dirigente relembrou episódios polêmicos recentes no Campeonato Brasileiro, destacando que a equipe passou 31 rodadas sem ter um pênalti assinalado a seu favor. Alê pontuou ainda que o uso de termos tradicionais de arquibancada não deve ser interpretado como acusação formal de crime nem como incitação a atos violentos.

A apuração segue a cargo das autoridades competentes de São Paulo, que avaliam o cabimento das medidas restritivas e cíveis solicitadas pela confederação nacional.