Ações da Intel despencam após projeções fracas e arrastam setor de tecnologia em Nova York

Ações da Intel despencam após projeções fracas e arrastam setor de tecnologia em Nova York

Economia

As ações da Intel sofreram uma forte retração no mercado financeiro dos Estados Unidos, registrando quedas superiores a 25% nos negócios pré-abertura. O movimento refletiu o desapontamento dos investidores com as estimativas futuras apresentadas pela gigante dos semicondutores, que sinalizam um ritmo de crescimento mais lento do que o projetado por Wall Street para o encerramento do ano.

A reação negativa à divulgação dos resultados operacionais acabou se espalhando por todo o segmento de tecnologia. O tombo dos papéis da fabricante de chips contaminou o humor dos investidores e pressionou o índice Nasdaq, que operou em baixa de mais de 2% nas primeiras horas de negociação. O movimento de venda generalizada no setor foi amplificado por balanços de outras grandes corporações globais, como a Amazon, que também decepcionaram o mercado financeiro.

Recuperação financeira contrasta com projeções tímidas para o trimestre

Apesar da reação drástica de Wall Street, o desempenho do terceiro trimestre de 2026 (3T26) apresentou números operacionais robustos em termos absolutos. A receita líquida da companhia alcançou US$ 16,5 bilhões, representando um avanço de 21% em relação aos US$ 13,7 bilhões apurados no mesmo período do ano anterior (3T25).

O resultado marcou uma virada importante na rentabilidade imediata da empresa. O lucro líquido atingiu US$ 3,3 bilhões no trimestre, revertendo um expressivo prejuízo de US$ 11,0 bilhões registrado no segundo trimestre de 2026 (2T26). Contudo, na comparação anual, o lucro ainda representou um recuo de 18% em relação aos US$ 4,1 bilhões obtidos no 3T25. O lucro por ação ficou fixado em US$ 0,60.

Desaceleração no mercado de computadores pessoais preocupa analistas

O principal estopim para a onda de desconfiança entre analistas de mercado esteve focado nas perspectivas para o quarto trimestre de 2026 (4T26). A diretoria da Intel projeta uma arrecadação situada entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões para os últimos três meses do ano, patamar sensivelmente inferior à mediana das expectativas do mercado, estimada em US$ 17 bilhões.

Essa projeção implica estabilidade ou até mesmo uma leve retração no faturamento em comparação com os US$ 16,5 bilhões apurados no período atual. A justificativa apresentada pelos executivos aponta para uma fraqueza prolongada na demanda por computadores pessoais, segmento tradicional que continua enfrentando dificuldades de recuperação global e limitando o avanço das receitas totais da fabricante.

Apostas bilionárias em chips de inteligência artificial seguem no radar da Intel

Mesmo enfrentando cenários adversos no mercado consumidor de computadores, a Intel mantém uma estratégia agressiva de expansão voltada à infraestrutura de inteligência artificial. A empresa vem sustentando um investimento em capital de giro e capacidade produtiva superior a US$ 5 bilhões por trimestre. O montante é direcionado à aquisição de equipamentos avançados e ampliação de fábricas de semicondutores de última geração.

De acordo com a administração da fabricante, a procura por processadores de alto desempenho voltados a centros de dados e servidores corporativos permanece aquecida. No entanto, os pesados aportes de capital ainda não foram suficientes para anular a retração no segmento de unidades de processamento pessoal. A estratégia da empresa, monitorada de perto por plataformas como a Nasdaq, visa garantir participação dominante no suprimento global de semicondutores para os próximos anos.