A venda da CSN Cimentos pode finalmente estar chegando à reta final. A CSN (CSNA3) informou nesta sexta-feira (30) que assinou um acordo de exclusividade com a chinesa Huaxin Building Materials Group para avançar nas negociações envolvendo a subsidiária de cimentos.
O acordo tem duração de dez dias e considera um valor de empresa (enterprise value) de R$ 12,7 bilhões para a CSN Cimentos. A expectativa da companhia é assinar os documentos definitivos da transação nos próximos dias, após a Huaxin apresentar a proposta mais vantajosa entre as recebidas no processo competitivo iniciado em março deste ano.
O anúncio representa um avanço importante em uma operação aguardada há meses pelo mercado financeiro nacional. Além de simplificar o portfólio de ativos, a venda da subsidiária é considerada fundamental para a equação financeira do grupo empresarial.
No entanto, mesmo que a transação seja concluída pelo montante esperado, ela não deve ser suficiente, sozinha, para tirar a CSN do aperto financeiro. A demora para sacramentar o negócio chegou a alimentar especulações sobre rotas alternativas, incluindo uma eventual abertura de capital por meio de uma oferta pública inicial.
Pressão da dívida e rebaixamento de nota
A conclusão da operação ganha ainda mais relevância após a agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixar recentemente a nota de crédito da CSN de “B” para “B-“, mantendo a perspectiva negativa para a corporação.
Na avaliação da agência internacional, resultados mais fracos na divisão de mineração e o nível elevado de alavancagem continuam pressionando severamente o perfil financeiro do grupo corporativo.
Nesse contexto desafiador, a venda da unidade de cimentos é vista por analistas como uma das principais iniciativas para acelerar a desalavancagem da companhia e conter as despesas financeiras nos próximos anos.
Para o banco Citi, a notícia é positiva justamente por colaborar diretamente com o alívio do endividamento da CSN. Contudo, diante dos juros elevados e das revisões para baixo nas projeções da CSN Mineração (CMIN3), a organização precisará manter esforços contínuos.
Mercado em alerta com balanços e prejuízos
A situação financeira da siderúrgica acendeu o sinal amarelo entre os investidores após a divulgação dos resultados do quarto trimestre do ano anterior. Na ocasião, a companhia reportou um prejuízo líquido substancialmente superior ao registrado no ciclo precedente.
Desde então, a evolução da dívida líquida e a capacidade real de geração de caixa se tornaram os pontos centrais de acompanhamento pelo mercado. No balanço referente ao segundo trimestre de 2026, a empresa anotou um prejuízo líquido de R$ 773 milhões.
Segundo a administração corporativa, o desempenho negativo refletiu maiores despesas financeiras decorrentes de variações cambiais, que acabaram neutralizando o resultado operacional positivo obtido no intervalo analisado.

