A Vale (VALE3) projeta que a pressão sobre os custos operacionais perca força no quarto trimestre de 2026 (4T26), após os impactos registrados entre julho e setembro. A companhia avalia que os indicadores devem se manter estáveis no período, mesmo diante das oscilações nos preços de insumos e combustíveis ao redor do mundo.
Durante teleconferência com o mercado realizada nesta sexta-feira (30), a administração da mineradora explicou como vem utilizando ferramentas financeiras e ajustes operacionais para reduzir os efeitos da inflação e preservar a competitividade do negócio. Um dos grandes destaques foi a estratégia de proteção contra a volatilidade do mercado internacional.
Petróleo pressiona custos e afeta transporte marítimo
A alta do petróleo foi um dos principais fatores por trás da pressão sobre os custos da mineradora no terceiro trimestre. O avanço da commodity afeta diretamente as despesas com bunker, o combustível utilizado pelas embarcações responsáveis pelo transporte marítimo de minério de ferro.
Na comparação anual, o barril do Brent apresentou valorização de aproximadamente 34% no período, alcançando preço médio de US$ 91,29. Já em relação ao segundo trimestre, houve uma queda de 5,6% nos valores da matéria-prima.
Além da pressão sobre os combustíveis, a Vale também enfrenta um cenário menos favorável para os preços do minério de ferro. A combinação desses fatores exige atenção constante à estrutura de custos da companhia. Você pode entender esse contexto mais a fundo nesta reportagem do Seu Dinheiro.
Estratégia de hedge gera economia bilionária
Para reduzir a exposição às oscilações do mercado, a Vale combina contratos de transporte de longo prazo, operações de hedge e iniciativas voltadas à produtividade. Atualmente, aproximadamente 75% da demanda de transporte marítimo da companhia está protegida por contratos de longo prazo, enquanto para 2027 esse percentual já ultrapassa 80%.
Os resultados dessas iniciativas puderam ser observados nos números do terceiro trimestre. O frete marítimo realizado pela companhia ficou em US$ 22,80 por tonelada, mas caiu para US$ 21,40 após os efeitos das proteções. A companhia estima que sua estratégia de longo prazo para o transporte marítimo tenha proporcionado uma economia de aproximadamente US$ 3 bilhões em 2026.
Ampliação de proteções contra petróleo e câmbio
A política de hedge também contempla outras variáveis que afetam os resultados, como petróleo e câmbio. Para o quarto trimestre de 2026, a Vale informou que cerca de 70% de sua exposição ao petróleo já estava protegida, a um preço médio próximo de US$ 79 por barril.
No mercado de câmbio, a companhia mantém posições protegidas contra oscilações do real. Para o quarto trimestre, eram aproximadamente US$ 700 milhões em exposição coberta, com taxa média próxima de R$ 5,80 por dólar. O programa de hedge proporcionou US$ 249 milhões em benefícios de caixa no terceiro trimestre e acumulou US$ 702 milhões nos nove primeiros meses do ano.
Como o mercado recebeu os resultados
O balanço da Vale no terceiro trimestre de 2026 trouxe avaliações distintas entre os bancos, mas com um ponto de convergência: a geração de caixa permaneceu resiliente, apesar da deterioração dos resultados da divisão de minério de ferro.
Itaú BBA, Safra e BTG Pactual consideraram o Ebitda próximo das estimativas, enquanto o BB Investimentos destacou a pressão simultânea dos preços menores e dos custos mais elevados.
A principal preocupação dos analistas esteve concentrada no negócio de minério de ferro, afetado por preços menores e restrições operacionais no Sistema Norte. Apesar disso, o avanço das vendas e a eficiência logística ajudaram a sustentar as ações, que lideraram os ganhos do Ibovespa após a divulgação dos dados.

