Café arábica e robusta fecham outubro em baixa sob impacto da alta do dólar

Café arábica e robusta fecham outubro em baixa sob impacto da alta do dólar

Agro

O mercado internacional de café atravessou o mês de outubro sob forte volatilidade, impulsionado por oscilações nas bolsas de futuros de Nova York e Londres. Além dos fundamentos tradicionais de oferta e demanda, o comportamento do câmbio exerceu influência decisiva sobre as cotações globais e locais, redefinindo o cenário para os produtores e exportadores brasileiros.

A valorização da moeda americana no Brasil gerou pressões mistas nos contratos internacionais. Enquanto o cenário cambial estimulou a competitividade das exportações, a oscilação das bolsas refletiu preocupações constantes com estoques, clima e o ritmo real dos embarques mundiais.

Impacto cambial e desempenho nas bolsas internacionais

No balanço acumulado de outubro, o contrato de dezembro do café arábica na Bolsa de Nova York registrou queda de 1,1%. A cotação passou de 290,70 centavos de dólar por libra-peso no fechamento de setembro para 287,60 centavos até as 11h de sexta-feira, 30 de outubro. Em Londres, o contrato janeiro de 2027 do robusta apresentou um recuo ainda mais expressivo, de 6,7% no mesmo período.

O fator câmbio foi determinante para moldar esse cenário. No início do mês, a queda do dólar após o primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras deu suporte inicial às cotações internacionais. No entanto, no encerramento de outubro, a moeda americana saltou de R$ 5,173 para R$ 5,4257, acumulando alta de 4,9%, o que pressionou diretamente os contratos futuros.

Estoques reduzidos e qualidade da safra brasileira

Entre os fatores de sustentação para os preços, destaca-se o nível historicamente baixo dos estoques certificados de café na Bolsa de Nova York. Essa escassez mantém os compradores internacionais em alerta constante quanto à disponibilidade de curto prazo, especialmente para o arábica de melhor qualidade.

Apesar da retração nos estoques, o mercado monitora sinais de reabastecimento. Informações indicam que cerca de 42 mil sacas chegaram aos armazéns certificados para classificação. Paralelamente, a safra brasileira de 2026 enfrentou desafios relacionados ao excesso de umidade durante a colheita e a secagem, o que comprometeu parte da qualidade dos grãos e restringiu a oferta de padrões específicos exigidos pelo exterior.

Perspectivas climáticas e o ritmo dos embarques

As condições meteorológicas também pesaram na formação de preços ao longo de outubro. Analistas acompanham de perto os possíveis reflexos do fenômeno El Niño sobre as regiões produtoras, o que gerou incertezas sobre o potencial produtivo para os próximos ciclos. Em contrapartida, as chuvas recentes têm favorecido o desenvolvimento das floradas para a safra seguinte no Brasil, assim como o Vietnã relata cenários positivos para o robusta.

Segundo análises do setor, as exportações brasileiras precisam manter um ritmo intenso para alcançar as metas da temporada. Conforme avaliações de especialistas como Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, o país necessita de uma média superior a 4 milhões de sacas exportadas mensalmente nos próximos meses para atender à demanda global e amenizar o quadro de estoques apertados.

Comportamento do mercado físico no Brasil

No mercado interno brasileiro, o comportamento dos preços refletiu a gangorra cambial. Enquanto as cotações nas bolsas externas recuaram, a alta do dólar funcionou como um amortecedor importante para a receita em moeda nacional.

No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa manteve estabilidade até o final de outubro, cotado a R$ 1.650,00 por saca. Por outro lado, o conilon tipo 7 com referência em Vitória, no Espírito Santo, recuou de R$ 980,00 para R$ 960,00 por saca, acumulando queda de 2% no período. O cenário evidencia a complexidade de um mercado dividido entre fundamentos externos de baixa e o suporte proporcionado pelo câmbio.