Preço do milho recua 6,72% em outubro no Brasil com demanda fraca e oferta pressionada

Preço do milho recua 6,72% em outubro no Brasil com demanda fraca e oferta pressionada

Agro

O mercado brasileiro de milho encerrou o mês de outubro sob forte pressão, registrando queda generalizada nas cotações em meio a um cenário de demanda enfraquecida por parte dos consumidores. Conforme levantamento realizado pela consultoria Safras & Mercado, os compradores adotaram uma postura de cautela e reduziram o ritmo das aquisições, impulsionados por um abastecimento confortável no mercado doméstico e pela expectativa de novas baixas nas praças produtoras.

A retração nos valores médios foi sentida de maneira expressiva em diversas regiões agrícolas do país. Em 29 de outubro, a média nacional da saca de milho fechou cotada a R$ 62,11, o que representou um recuo de 6,72% na comparação com os R$ 66,58 verificados no encerramento do mês anterior. Do lado da oferta, embora os produtores tenham aproveitado períodos do mês para fixar volumes, a volatilidade cambial e as incertezas quanto à evolução das exportações limitaram as negociações.

Comportamento do câmbio e impacto nas exportações

A oscilação da moeda norte-americana exerceu papel central na formação de preços ao longo de outubro. O dólar iniciou a semana operando próximo de R$ 5,60, mas sofreu ajustes para a faixa de R$ 5,35, o que acabou reduzindo o suporte inicial às referências voltadas para a exportação do cereal brasileiro. No dia 30 de outubro, a cotação reagiu e passou a girar em torno de R$ 5,43 pela manhã, alimentando expectativas pontuais de recuperação.

Apesar da reação cambial, a paridade de exportação continuou em patamares pouco atrativos para estimular um fluxo intenso de vendas externas. Dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que o Brasil exportou 4,154 milhões de toneladas de milho durante os 16 dias úteis de outubro, gerando uma receita de US$ 988,265 milhões. O preço médio da tonelada ficou estabelecido em US$ 237,90.

Na comparação com outubro do ano anterior, houve alta de 0,9% na receita média diária, mas a quantidade média diária embarcada sofreu queda de 12,1%. Esse descompasso evidenciou que a valorização do produto não foi suficiente para compensar o menor volume embarcado, cenário corroborado pelo line-up dos portos, que indicava embarques de 6,016 milhões de toneladas previstos para o mês.

Desempenho regional e variações nas praças produtoras

A desvalorização do cereal atingiu de forma distinta os principais polos agrícolas do país, com destaque para reduções acentuadas em praças estratégicas:

  • Rondonópolis (MT): a saca despencou de R$ 67,00 para R$ 55,00, registrando queda de 17,91%.
  • Cascavel (PR): o preço recuou de R$ 64,50 para R$ 61,00, baixa de 5,43%.
  • Campinas (SP): o mercado CIF fechou a R$ 67,00, queda de 5,63% frente aos R$ 71,00 anteriores.
  • Rio Verde (GO): a cotação passou de R$ 63,00 para R$ 60,00, retração de 4,76%.

Enquanto isso, no mercado internacional, os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago também enfrentaram pressões decorrentes da ampla disponibilidade global do cereal. Relatórios recentes confirmaram estoques e perspectivas de produção elevados nos Estados Unidos, limitando qualquer tentativa de recuperação expressiva das cotações nas bolsas externas.

Perspectivas para o curto prazo no setor

Para as próximas semanas, a atenção dos agentes econômicos do agronegócio continuará voltada para o comportamento do câmbio e para o desenrolar das condições climáticas nas regiões produtoras. O regime de chuvas passa a ser determinante para o estabelecimento das lavouras de verão e, posteriormente, para o planejamento da segunda safra.

Compradores cautelosos, estoques confortáveis e um ritmo de embarques externos inferior ao da temporada passada mantêm o mercado pressionado. Para mais informações econômicas e atualizações do setor, consulte o Ministério da Agricultura e Pecuária.