Oncoclínicas avança na reestruturação com aval de credores para plano

Oncoclínicas avança na reestruturação com aval de credores para plano

Economia

A Oncoclínicas (ONCO3) deu mais um passo importante para reorganizar sua situação financeira ao conseguir o apoio de credores necessário para dar continuidade ao processo de recuperação extrajudicial. A empresa comunicou que as adesões à proposta atualizada superaram o quórum mínimo previsto na Lei de Falências, permitindo levar o plano de reestruturação à homologação judicial.

Ao todo, credores titulares de mais de R$ 3,5 bilhões em créditos aderiram ao plano, o equivalente a 61,6% do total considerado para o cálculo. A base de créditos abrangida pela reestruturação soma aproximadamente R$ 5,7 bilhões, sem incluir as operações entre empresas do próprio grupo, conhecidas como créditos intercompany. Com o percentual mínimo alcançado, a companhia informou que dará prosseguimento ao pedido de homologação perante o Juízo da Recuperação Extrajudicial, em São Paulo, cabendo à Justiça determinar a publicação do edital previsto na legislação vigente conforme a Lei 11.101/2005.

O que prevê o plano de recuperação da Oncoclínicas

O quórum foi alcançado após a companhia apresentar uma versão atualizada de seu plano de reestruturação, que substituiu a proposta protocolada em agosto. A nova proposta contempla aproximadamente R$ 5,7 bilhões em créditos quirografários, ou seja, dívidas sem garantia real específica, superando o montante anterior de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.

O objetivo é reorganizar os compromissos financeiros da empresa por meio de diferentes alternativas para os credores. Entre as medidas previstas estão a conversão de parte das dívidas em novos instrumentos financeiros, o alongamento dos prazos de pagamento, a transferência de determinados ativos, a emissão de debêntures conversíveis e a quitação parcial de débitos por meio de ações da própria companhia. A proposta também estabelece descontos para modalidades específicas de pagamento e condições direcionadas a fornecedores.

Fatores que levaram à reestruturação financeira

A situação atual da Oncoclínicas é resultado de uma sucessão de acontecimentos, sendo o principal deles a estratégia de expansão acelerada adotada após a oferta pública inicial de ações, o IPO, realizada em 2021. Inicialmente focada em tratamentos oncológicos, a empresa ampliou sua atuação para áreas de alta complexidade e realizou aquisições de hospitais, movimento que enfrentou desafios de gestão e integração fora do segmento oncológico original.

Para tentar contornar o cenário adverso, a companhia realizou a venda de hospitais adquiridos e o cancelamento de novas construções. No processo de busca por liquidez e capitalização, a empresa também lidou com um ambiente de juros elevados e a necessidade de reforçar o caixa. Esses fatores acumulados culminaram na busca por uma reestruturação ampla de suas dívidas por via extrajudicial para garantir a sustentabilidade das operações a longo prazo.