A valorização vertiginosa das grandes empresas de tecnologia financeira ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (4), quando a britânica Revolut alcançou a impressionante marca de US$ 115 bilhões em avaliação de mercado. O salto de 53% em relação a novembro de 2025, período em que era avaliada em US$ 75 bilhões, coloca a companhia em um patamar inédito no setor de pagamentos e serviços bancários digitais, superando amplamente concorrentes globais de peso.
Para mensurar a dimensão da cifra, a avaliação da Revolut representa mais do que o dobro do valor de mercado do Nubank (ROXO34), estimado em cerca de R$ 56,1 bilhões. Embora especialistas façam a ressalva de que o cálculo da empresa britânica tenha ocorrido no mercado privado enquanto o capital do banco brasileiro oscila diariamente na bolsa, a disparidade ilustra com precisão o apetite agressivo do capital internacional por modelos de negócio altamente escaláveis.
A aposta estratégica dos investidores globais
O aporte financeiro substancial foi liderado por fundos de peso como Coatue, Glade Brook Capital Partners, Durable Capital Partners, T. Rowe Price Associates e Baillie Gifford. O consórcio apostou na guinada que transformou a empresa fundada em 2015, inicialmente focada em transferências e câmbio internacional, em uma plataforma bancária completa capaz de competir diretamente com gigantes tradicionais.
Segundo Victor Stinga, diretor financeiro da Revolut, o momento coroa anos de planejamento estruturado. De acordo com o executivo, o avanço recente permite consolidar a presença em praças estratégicas e preparar o terreno para alcançar dezenas de milhões de novos correntistas fora do continente europeu, conforme detalhado em reportagem especial do Seu Dinheiro.
Expansão internacional e licenciamento regulatório
O ano de 2026 tem sido marcado por marcos regulatórios fundamentais para a instituição britânica. A fintech inaugurou serviços bancários completos em praças como o Reino Unido, o México, a Austrália e a Nova Zelândia, além de conquistar licenças oficiais em países como França, Colômbia e Argentina.
Nos Estados Unidos, a companhia obteve sinal verde condicional do órgão regulador nacional OCC para atuar como banco. Essa movimentação regulatória coordenada reduz barreiras de entrada e garante a infraestrutura necessária para atender ao público corporativo e individual em diferentes fusos horários e moedas.
Rentabilidade e solidez financeira
Diferente de antigas promessas do setor tecnológico que priorizavam apenas o crescimento a qualquer custo, a Revolut tem apresentado indicadores operacionais robustos. Em 2025, a receita da companhia disparou 46%, atingindo a marca de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 32,9 bilhões).
Paralelamente, o lucro antes dos impostos registrou alta de 57%, fechando o período em US$ 2,3 bilhões (cerca de R$ 12,6 bilhões). A margem de 38% demonstra que a expansão geográfica veio acompanhada de eficiência de custos, blindando o caixa da empresa contra eventuais flutuações macroeconômicas globais.
A corrida rumo aos cem milhões de clientes
Com os recursos levantados na nova captação, a meta institucional agora é ultrapassar a barreira de 100 milhões de clientes ativos espalhados por mais de 100 países. O fundador e CEO da companhia, Nik Storonsky, reforçou que a prioridade continua sendo simplificar a gestão financeira cotidiana dos usuários e integrar funcionários ao valor gerado na jornada de expansão.

