Seis pessoas viram rés após desvio de doações dos Estados Unidos para afetados pelas cheias no RS

Seis pessoas viram rés após desvio de doações dos Estados Unidos para afetados pelas cheias no RS

Rio Grande do Sul

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) apresentou denúncia contra seis pessoas envolvidas em um esquema de desvio e comercialização de donativos enviados dos Estados Unidos para auxiliar as famílias atingidas pelas severas enchentes que assolaram o estado. A investigação, conduzida pelo órgão ministerial, apontou que o material humanitário, que incluía roupas, utensílios, eletrodomésticos e medicamentos, acabou desviado para fins particulares e comerciais na região da Serra Gaúcha.

Os envolvidos foram formalmente acusados pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. De acordo com os levantamentos realizados pelas autoridades competentes, foram identificados oito delitos específicos relacionados ao desvio e à venda dos donativos que deveriam ter chegado de forma gratuita à população em situação de vulnerabilidade após a tragédia climática.

Origem da investigação e o caminho das doações

O caso veio à tona após denúncias e informações detalhadas terem sido encaminhadas ao Consulado-Geral do Brasil em Miami, indicando que os itens arrecadados em solo norte-americano para socorrer os desabrigados estavam sendo comercializados de maneira irregular. O material recolhido no exterior e em diferentes pontos do país desembarcou no estado com o propósito exclusivo de apoio humanitário, mas parte da carga acabou redirecionada para brechós e uso próprio dos suspeitos.

Para encobrir a prática ilícita, o grupo utilizou estratégias financeiras complexas, incluindo a movimentação de recursos por meio de contas bancárias de terceiros e ações voltadas à ocultação patrimonial. O objetivo da engenharia financeira era dissimular a origem dos valores obtidos com a venda ilegal das mercadorias doadas, dificultando o rastreio por parte dos órgãos de controle.

A Operação Ascaris e o desdobramento na Serra Gaúcha

A denúncia apresentada decorre dos desdobramentos da Operação Ascaris, deflagrada em dezembro de 2025. A ação conjunta reuniu provas contundentes que evidenciaram uma divisão estruturada de tarefas entre os investigados, abrangendo desde a logística de armazenamento até a comercialização e lavagem do dinheiro arrecadado.

Nas diligências cumpridas na Serra Gaúcha, as equipes policiais apreenderam dezenas de caixas contendo fraldas, calçados, mamadeiras, produtos de higiene, vestimentas e itens eletrônicos. Além disso, as apurações revelaram desvios de mercadorias doadas diretamente por empresas e de vouchers de combustível que deveriam subsidiar as frentes de trabalho no atendimento às vítimas.

Bens sequestrados e recuperação dos materiais humanitários

Como parte das medidas cautelares adotadas durante o processo investigativo, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, o sequestro de veículos e a indisponibilidade de imóveis ligados aos suspeitos, buscando assegurar o futuro ressarcimento dos prejuízos causados à sociedade e às entidades assistenciais afetadas.

Os produtos recuperados ao longo das fiscalizações foram devidamente redirecionados para o seu destino original. O material apreendido foi repassado a creches, abrigos e instituições de caridade situadas em municípios como Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul, garantindo o atendimento às comunidades que ainda lidam com os reflexos sociais da calamidade.