A inteligência artificial exerce forte influência sobre os hábitos de consumo da população brasileira, redefinindo a forma como marcas e consumidores se relacionam no dia a dia. É o que revela o estudo As Faces da IA no Brasil: Redesenhando Negócios e Marcas do Futuro, desenvolvido pelas empresas Troiano e Nico.ag.
De acordo com o levantamento, 85% dos brasileiros que utilizam a tecnologia recorrem a essas ferramentas em algum momento da jornada de compra. No entanto, os usos variam consideravelmente conforme o perfil de cada indivíduo, refletindo tanto os benefícios percebidos quanto os receios em relação ao avanço tecnológico.
Dualidade entre eficiência e autonomia
Os consumidores navegam constantemente entre sentimentos de expansão e cautela. Ao mesmo tempo em que a inteligência artificial proporciona uma sensação de ampliação das capacidades mentais, gerando ganhos de eficiência e otimização do tempo, ela também desperta preocupações legítimas sobre a perda de autonomia e o risco de dependência excessiva.
Essa dualidade serviu como base para a criação de quatro personas distintas. Os perfis foram estabelecidos por meio do cruzamento entre eixos funcionais e emocionais, demonstrando que a tecnologia assume papéis que vão desde o suporte técnico até o acolhimento afetivo na rotina dos cidadãos.
Os quatro perfis dos usuários nacionais
O primeiro grupo identificado é o IApédia, que representa 38% dos indivíduos analisados. Movidos pela curiosidade, esses usuários recorrem à tecnologia para esclarecer dúvidas complexas, realizar pesquisas aprofundadas antes de adquirir produtos e expandir conhecimentos técnicos.
Em seguida, o Faz-Tudo compõe 31% da amostra, priorizando a produtividade e a economia de tempo. Para esse público, a inteligência artificial funciona como um assistente pessoal encarregado de tarefas repetitivas, permitindo comparar preços e analisar custos com maior rapidez.
O Concierge, que abrange 20% dos entrevistados, utiliza as ferramentas para organizar pensamentos e aprimorar a comunicação, contando com chatbots para decidir compras e escolher presentes. Por fim, o BFF representa 11% dos usuários e estabelece um vínculo mais emocional, enxergando na tecnologia um parceiro de diálogo e acolhimento.
Impactos nas estratégias das marcas
A presença consolidada das ferramentas generativas no cotidiano exige adaptação imediata do mercado publicitário. Especialistas apontam o surgimento do fenômeno conhecido como Abismo Infinito, que tende a concentrar a atenção em poucas marcas no topo e ampliar o espaço para alternativas de nicho, alterando a dinâmica tradicional das prateleiras de consumo.

