Festival Africano ocupa o Centro Histórico neste sábado com gastronomia e cultura

Festival Africano ocupa o Centro Histórico neste sábado com gastronomia e cultura

Porto Alegre

O Centro Histórico de Porto Alegre se transforma neste sábado em um ponto de encontro para celebrar a ancestralidade, a arte e os sabores da diáspora africana. A rua Coronel Genuíno recebe a 2ª edição do Festival Africano – Áfricas no Centro, das 10h às 18h, com entrada gratuita. O evento é uma realização dos Produtores Gaúchos Unidos e conta com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre, por meio das secretarias municipais de Planejamento e Gestão (programa Centro+) e de Cultura.

A iniciativa busca evidenciar a profunda influência africana na formação cultural, social e econômica da capital gaúcha e do Rio Grande do Sul, abrindo espaço para a valorização de comunidades quilombolas, empreendedores locais e artistas de diferentes linguagens. O trecho da via compreendido entre as ruas José do Patrocínio e Coronel Fernando Machado foi totalmente bloqueado para a circulação de veículos, dando lugar a uma estrutura com palco principal, feira de produtos e áreas de convivência. Em caso de chuva, a programação será integralmente mantida e transferida para o prédio do UniSenac, localizado na mesma rua.

Gastronomia em destaque com o Banquete Africano

Um dos pontos altos da programação é o tradicional Banquete Africano, marcado para ocorrer das 12h às 15h no térreo do UniSenac. A experiência culinária desta edição é assinada pelo renomado chef João Diamante, ao lado de convidados, com a condução na cozinha do subchef Bruno Eyer. O menu foi elaborado com ingredientes fornecidos por pequenos produtores da região, incorporando insumos como mexilhões defumados da Trutteria e nozes defumadas da Pecan Brasil, promovendo um diálogo entre a gastronomia contemporânea e os ingredientes do território gaúcho.

Além do banquete, que conta com ingressos à venda pela plataforma Sympla, o público pode participar de oficinas e palestras voltadas à culinária e à identidade cultural. Pela manhã, o chef Fabrício Goulart comanda uma oficina de canjica salgada, enquanto o chef João Diamante ministra a palestra “Do Impossível ao Extraordinário”, viabilizada pelo Sebrae no auditório do 9º andar. Painéis temáticos ao longo do dia discutem a relação entre comida, afeto, acolhimento e ancestralidade, reunindo nomes como o chef Mamadou Sène, Flávia Mu, Sarah Winck, Eliz Alejo e Kyzzy Rodrigues.

Música, arte e circulação de saberes

A programação cultural espalha-se pelo palco da rua e pelos auditórios do entorno com uma متنوعa grade de atrações. O público confere apresentações musicais do grupo Savannah — com repertório focado em afrobeat, kuduro e kizomba —, além de shows tradicionais do Quilombo dos Machados e da cantora Nina Fola, que encerra as atividades artísticas no palco externo.

A circulação de saberes ganha força com rodas de conversa e intervenções artísticas. O professor Jorge Amaro conduz um debate sobre os povos quilombolas e a cultura africana no estado, e a escritora Carmen Lima apresenta a contação de histórias infantil “Ecos da Terra Mãe: contos de África”. A agenda também contempla um desfile de moda do coletivo Badauê, a oficina de afrocolagens com Marissol Machado e uma roda de conversa voltada a experiências enogastronômicas protagonizadas por mulheres negras.

Para fechar o evento com um olhar histórico sobre a produção audiovisual negra no estado, a Cinemateca Capitólio exibe, às 17h, o filme “Um É Pouco, Dois É Bom”, reconhecido como o primeiro longa-metragem dirigido por uma pessoa negra no Rio Grande do Sul, lançado em 1970.