A Meta, empresa responsável pelas plataformas Instagram e Facebook, apresentou sua defesa formal em uma ação no Tribunal Superior Eleitoral. Na manifestação protocolada, a companhia afirmou categoricamente que não houve qualquer tipo de viés na distribuição de conteúdo durante o período da campanha eleitoral para favorecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
O posicionamento da big tech veio a público nesta sexta-feira como resposta a questionamentos levantados por representantes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa da empresa sustentou que relatórios apresentados por terceiros continham conclusões equivocadas sobre o alcance das postagens nas redes sociais geridas pelo grupo.
Análise de estratégias e métricas de alcance
De acordo com os argumentos detalhados pela companhia, as divergências observadas nos números de visualizações decorrem exclusivamente de características inerentes às estratégias digitais adotadas pelas diferentes equipes de campanha, além de particularidades técnicas na contagem de reproduções repetidas de vídeos.
A empresa destacou que o candidato Flávio Bolsonaro adotou uma dinâmica de publicar com menor frequência, mas alcançando um público maior por postagem específica. Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por um volume maior de publicações diárias, atingindo um público diversificado e acumulando um alcance total superior ao longo do processo eleitoral.
Controvérsias e dados sobre parlamentares
Durante os meses de disputa eleitoral, o papel das plataformas digitais foi alvo constante de debates públicos e questionamentos por parte de aliados do governo. Acusações apontavam supostos privilégios algorítmicos direcionados a figuras da oposição, incluindo parlamentares como o deputado federal Nikolas Ferreira.
Em sua manifestação técnica enviada à Justiça Eleitoral, a corporação pontuou que o volume expressivo de visualizações em determinados perfis opositores esteve relacionado à repetição de exibições de vídeos curtos aos mesmos usuários, o que acabou gerando uma distorção na percepção sobre o tamanho real da audiência alcançada.
Diferenças metodológicas na distribuição orgânica
Os dados apresentados pela empresa indicam ainda que, considerando estritamente a distribuição orgânica e excluindo qualquer impulsionamento pago por meio de anúncios, as contas oficiais ligadas a Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram atingir um público cerca de 50% maior do que aquele alcançado pelos canais de Flávio Bolsonaro.
Para a corporação, variações observadas no desempenho de publicações nas redes sociais não podem ser interpretadas de maneira simplista como evidência de interferência sistêmica. Fatores como engajamento espontâneo, curtidas, comentários e o comportamento do próprio algoritmo diante da concorrência de conteúdos influenciam diretamente esses resultados, conforme detalhado em reportagem da Folha de S.Paulo.

