O cenário epidemiológico brasileiro apresentou novas variações ao longo dos meses de setembro e outubro, com destaque para a alta nos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada a quadros de infecção por covid-19. Os dados foram divulgados em levantamento oficial da Fundação Oswaldo Cruz, evidenciando a necessidade de monitoramento contínuo da circulação de vírus respiratórios em território nacional.
De acordo com o último Boletim InfoGripe, os sinais de crescimento no número de ocorrências graves da doença foram identificados em pelo menos cinco unidades da Federação. A situação exige atenção das autoridades sanitárias, embora o patamar geral de incidência nessas regiões ainda demande observação detalhada sobre o comportamento viral a médio e longo prazo.
Panorama estadual e capitais
As análises apontam que o Mato Grosso, o Distrito Federal, São Paulo, o Rio de Janeiro e Santa Catarina registram indícios de avanço nos quadros graves decorrentes do coronavírus. Contudo, em quatro dessas regiões, a incidência da SRAG por covid-19 permanece em patamares considerados muito baixos pelo boletim técnico.
Em paralelo, três estados apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem apontar sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Roraima, Sergipe e Santa Catarina. No âmbito das capitais, apenas Aracaju e João Pessoa figuram com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, acompanhado de sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
Distribuição dos vírus respiratórios
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas analisadas pelo sistema, a proporção de resultados positivos para cada agente infeccioso entre os casos de SRAG revelou diferentes participações no cenário nacional. O rinovírus liderou os registros positivos, seguido por participações menores de vírus sincicial respiratório, influenza B, covid-19 e influenza A.
No que tange aos óbitos registrados no mesmo intervalo temporal entre os casos positivos, a covid-19 e o rinovírus concentraram as maiores proporções de detecção. Ao longo de 2026, o país contabilizou dezenas de milhares de notificações de SRAG, com mais da metade apresentando confirmação laboratorial para algum vírus respiratório.
Impacto por faixa etária
O monitoramento contínuo promovido pelo InfoGripe reforça que a incidência e a mortalidade semanal mantêm um perfil epidemiológico já conhecido, concentrando os impactos mais expressivos nos extremos da pirâmide etária.
Enquanto a incidência de SRAG demonstra maior pressão sobre o público infantil formado por crianças de até 2 anos, o cenário de mortalidade se inverte. A população com 65 anos ou mais segue como a parcela mais vulnerável e impactada pelos desfechos graves das síndromes respiratórias.

