Campanha audiovisual de aniversário celebra Antônio Carlos Côrtes, figura importante no movimento negro do Estado
A Biblioteca Pública do Estado (BPE) completou 155 anos em abril com uma homenagem que vai além das comemorações tradicionais. Para celebrar seu impacto na sociedade, a instituição da Secretaria da Cultura (Sedac) contou com um projeto voluntário que revela o quanto o acesso livre à informação é capaz de mudar trajetórias de vida.
A campanha audiovisual de aniversário, assinada pela agência gaúcha Global AD, tem como personagem central o advogado, jornalista e escritor Antônio Carlos Côrtes. O homenageado é um dos fundadores do Grupo de Pesquisas Palmares, coletivo formado em 1971 e amplamente reconhecido como um dos movimentos mais importantes a levantar a pauta antirracista no Rio Grande do Sul e no Brasil. Foi o Grupo Palmares quem primeiro formulou a ideia de tornar o 20 de novembro o Dia da Consciência Negra, em contraponto ao 13 de maio, uma data que simboliza a abolição da escravidão, considerada “inconclusa” pelo movimento negro. A data seria oficializada nacionalmente apenas em 2011, com a aprovação da Lei 12.519/2011.

Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, Côrtes lembra com carinho sua relação com a BPE, pois foi nas suas estantes que descobriu o livro “O Quilombo dos Palmares”, de Edison Carneiro. Ele fala com orgulho de sua participação na história desse movimento. “Tenho a honra de ser protagonista nesta campanha. O presente projeto enseja, sem jactância, a sensação de dever cumprido”, destaca o homenageado.
Disponível nas redes sociais e no canal no YouTube, o vídeo central da campanha revela gradualmente a trajetória de Côrtes e o quanto foi importante o acesso livre ao conhecimento.
“Quando descobrimos que uma das datas mais importantes para a cultura brasileira nasceu aqui, no Rio Grande do Sul, e que a Biblioteca Pública do Estado faz parte disso, percebemos que era esse o caminho a seguir. O Côrtes carrega uma trajetória que o país precisa conhecer melhor”, ressalta o coordenador de criação da Global AD, Rodrigo Oliveira. “Somos muito gratos por trazer esse capítulo tão importante ao público e honrar esse legado”, afirma o CEO Vinícius Ghise.
O projeto também trouxe “O Quilombo dos Palmares” de volta às estantes da BPE. Ao fazer um levantamento histórico, constatou-se que o livro não estava no acervo. A partir daí, novos exemplares foram adquiridos e a obra retornou à Biblioteca depois de anos. “Estou na direção há três anos e só agora soube desse fato tão importante. É uma satisfação profunda ver o trabalho coletivo florescer em resultados significativos”, celebra Ana Maria Souza, diretora da instituição.

Fundada em 1871, no período da Província de São Pedro, durante o reinado de D. Pedro II, a BPE guarda um importante acervo da memória histórica e cultural do Estado. Atualmente, a instituição passa por reformas para modernizar a estrutura e ampliar a acessibilidade, contexto que se conecta diretamente à proposta do projeto, construída em torno do conceito de uma biblioteca viva, que preserva o passado e ao mesmo tempo participa da construção do futuro.
Publicação: 19/06/2026 às 16h58min -Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul

