Estudo inédito elaborado pela Fiocruz apontou risco 17 vezes maior de desenvolvimento da Síndrome de Guillain-Barré (SGB) em pessoas que contraíram o vírus da dengue. Nas primeiras semanas da infecção, o risco de desenvolvimento chega a ser 30 vezes maior.
Em 2024, o Brasil enfrentou a pior epidemia de dengue de sua história e chegou a registrar 4.013.746 casos prováveis de dengue, 3.809 mortes, além de 232 óbitos em investigação.
O levantamento foi recém-publicado na revista científica New England Journal of Medicine e desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz Bahia. A pesquisa também contou com a colaboração do Ministério da Saúde e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. O método de pesquisa combinou a análise de três bancos de dados diferentes do Sistema Único de Saúde (SUS): internações hospitalares, notificações de casos de dengue e registros de óbitos.
A análise identificou que 89 das mais de 5 mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024 ocorreram logo após o paciente apresentar quadro de dengue. Até então, nenhum estudo tinha sido capaz de confirmar uma correlação entre as duas doenças.
A SGB é uma condição neurológica rara na qual o próprio sistema imunológico ataca os nervos que ligam o cérebro à medula espinhal. Como consequência, os doentes podem apresentar fraqueza muscular severa, que geralmente começa nas pernas e pode subir para os braços, o rosto e, em casos graves, dificultar a respiração.
Para Viviane Boaventura, uma das autoras do estudo e pesquisadora da Fiocruz Bahia, a confirmação da relação entre as doenças é positiva: “O estudo permite que o que antes era tratado como casos isolados ou hipóteses passe a ser reconhecido como evidência concreta”. Boaventura avalia que os ganhos clínicos são diretos, facilitando o diagnóstico precoce e tratamento mais eficaz.
