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Alexandre Silveira sinaliza fim de leilões de energia fóssil no Brasil

Política

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, indicou que o governo federal busca encerrar a dependência de leilões de reserva de capacidade voltados a combustíveis fósseis. A declaração, feita nesta terça-feira (14.jul.2026) após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marca uma mudança de tom na estratégia de segurança energética do país, que prioriza a transição para fontes renováveis.

Aposta em baterias para substituir termelétricas

A estratégia do Ministério de Minas e Energia para viabilizar o fim das contratações de usinas movidas a combustíveis fósseis repousa sobre o sucesso do leilão de baterias, previsto para dezembro. A tecnologia de armazenamento é vista como o elo perdido para aproveitar plenamente a energia solar e eólica, que possuem geração intermitente.

Segundo Silveira, o objetivo é conseguir armazenar o excedente gerado durante o dia para disponibilizá-lo em horários de pico, como entre 18h e 23h. “Vamos poder estender o sol, armazenando a energia solar e eólica”, afirmou o ministro. A aposta é que, com essa infraestrutura, o sistema elétrico brasileiro se torne mais flexível e menos dependente de termelétricas a gás e carvão, que hoje garantem o fornecimento em momentos críticos.

Contexto do leilão de março e críticas

O Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCap), realizado em março, foi o ponto de inflexão para este debate. O certame contratou quase 20 GW em disponibilidade de energia, com um custo que ultrapassou a marca de R$ 515 bilhões. A predominância de fontes não renováveis — cerca de 90% do total contratado — gerou uma onda de questionamentos.

O certame enfrentou resistência em diversas esferas, incluindo ações na Justiça, no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Congresso Nacional. Críticos apontaram que a alta concentração em combustíveis fósseis vai na contramão dos compromissos climáticos globais do Brasil. O governo, por sua vez, defendeu a medida como necessária para garantir a segurança imediata do fornecimento, dada a natureza inflexível das termelétricas, que podem ser acionadas a qualquer momento.

Desafios para a segurança energética até 2030

Apesar do desejo de abandonar os combustíveis fósseis, o caminho para a transição energética enfrenta desafios técnicos. O Plano da Operação Energética (PEN) 2026-2030, divulgado recentemente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), recomenda a realização de leilões anuais de reserva de capacidade.

O ONS alerta que o país corre o risco de enfrentar um déficit de potência para atender à demanda a partir de 2027. Embora o órgão não imponha uma preferência tecnológica, a necessidade de garantir a estabilidade do sistema coloca pressão sobre o cronograma de implementação das novas tecnologias de armazenamento. O ministro admitiu que, embora o leilão de março possa ter sido o último de grande escala com fósseis, “talvez mais um pequeno” certame do tipo ainda seja necessário durante este período de transição.

O Conexrs segue acompanhando de perto os desdobramentos da política energética brasileira e os impactos das decisões do CNPE para o consumidor e para o meio ambiente. Mantenha-se informado com nossa cobertura diária, que busca conectar os fatos mais relevantes do cenário nacional com análises aprofundadas e imparciais sobre os temas que moldam o futuro do país.

Fonte: poder360.com.br