Câncer colorretal: por que ignorar sintomas pode ser um erro fatal

Câncer colorretal: por que ignorar sintomas pode ser um erro fatal

DESTAQUES Saúde

A percepção de que algo não vai bem com o organismo é, muitas vezes, o primeiro passo para a preservação da saúde. No entanto, quando se trata do câncer colorretal, uma parcela significativa dos brasileiros ainda opta por ignorar sinais de alerta ou adiar a busca por orientação profissional. Dados recentes revelam um paradoxo preocupante: embora a população reconheça a gravidade de sintomas como sangramentos e alterações intestinais, a atitude diante desses sinais é, frequentemente, a inércia.

O abismo entre a percepção de risco e a busca por ajuda

Um levantamento realizado pelo Hospital A. C. Camargo em parceria com a Nexus ouviu mais de 2 mil pessoas e trouxe à tona uma realidade alarmante. Cerca de 80% dos entrevistados admitem que a presença de sangue nas fezes ou mudanças persistentes no funcionamento do intestino por mais de um mês são indicativos de problemas graves. Contudo, o conhecimento teórico não se traduz em ação imediata.

A pesquisa aponta que 9% dos participantes já notaram sangue nas fezes, mas 40% desse grupo não buscou auxílio médico imediato. Entre as justificativas para a demora estão a espera pela remissão espontânea do sintoma, a automedicação, a busca por soluções caseiras ou a consulta a fontes não especializadas na internet. Essa resistência em procurar um especialista atrasa o diagnóstico, um fator determinante para o sucesso do tratamento.

Desconhecimento sobre o exame de sangue oculto

A prevenção e o rastreio da doença ainda enfrentam barreiras culturais e informativas. O exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), uma ferramenta fundamental para identificar a neoplasia antes mesmo do surgimento de sintomas evidentes, é desconhecido por dois em cada três entrevistados. Apenas 11% da amostra já realizaram o procedimento.

O cenário é ainda mais crítico entre os mais jovens, na faixa de 16 a 24 anos, onde o desconhecimento atinge 85%. Homens, pessoas de menor renda e aqueles com menor nível de escolaridade também apresentam índices de desinformação superiores à média. Esse hiato no acesso à informação sobre métodos preventivos reflete a necessidade de campanhas de conscientização mais abrangentes e acessíveis.

A importância do diagnóstico precoce e o cenário nacional

O INCA estima que o Brasil registre 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no triênio 2026-2028, consolidando a doença como o segundo tumor de maior incidência no país. O impacto social da enfermidade é notável, tendo ganhado visibilidade pública após o falecimento da cantora Preta Gil, em julho do ano passado, após um longo período de tratamento.

Para o médico Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, a vigilância deve ser constante. “É importante não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente”, alerta o especialista. Ele reforça que exames preventivos, como a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto, são essenciais a partir dos 45 anos, ou conforme a indicação médica baseada no histórico familiar.

A detecção em estágio inicial eleva drasticamente as chances de cura e reduz a complexidade das intervenções necessárias. A saúde é um compromisso diário, e o acompanhamento médico regular é a melhor estratégia contra o avanço de doenças silenciosas. Continue acompanhando o Conexrs para se manter informado sobre saúde, ciência e os temas que impactam a sociedade brasileira com credibilidade e profundidade.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br