PT aciona TSE contra Flávio Bolsonaro por uso de inteligência artificial em ataques a Lula

PT aciona TSE contra Flávio Bolsonaro por uso de inteligência artificial em ataques a Lula

DESTAQUES Política

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou, nesta quinta-feira (30), uma representação formal junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) denunciando a suposta existência de uma rede coordenada de perfis voltada a atacar o presidente Lula. Segundo a legenda, a estratégia utiliza ferramentas de inteligência artificial para disseminar conteúdos degradantes, contando com o apoio de figuras políticas de destaque para ampliar o alcance dessas publicações.

A ação aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) como um dos principais articuladores na função de legitimador desse ecossistema digital. Além dele, a peça cita os deputados Mário Frias (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO), Gilvan da Federal (PL-ES) e o pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, André Marinho (Novo). O partido alega que esses políticos utilizam suas plataformas para impulsionar materiais produzidos por contas anônimas ou apócrifas, criando uma falsa sensação de rejeição popular contra o atual governo.

Estrutura e alcance da rede digital

De acordo com os dados apresentados pelo PT, a rede sob investigação seria composta por pelo menos 31 perfis distintos. O levantamento indica que essas contas, agindo de forma articulada, somam mais de 1,4 milhão de seguidores compartilhados e já realizaram quase 24 mil publicações. A estimativa da legenda é que o alcance desse conteúdo tenha ultrapassado a marca de 10 milhões de usuários nas redes sociais.

A estratégia, segundo a denúncia, não se limita apenas à difusão de mensagens, mas envolve uma complexa operação de monitoramento e colaboração. A representação detalha o uso da ferramenta collab do Instagram, que permite que postagens apareçam simultaneamente no perfil de dois usuários, aumentando a visibilidade e a autoridade do material compartilhado. O PT argumenta que essa dinâmica busca artificializar o debate público, distorcendo a percepção da opinião pública sobre o presidente.

Análise técnica e evidências apresentadas

A peça enviada ao TSE é acompanhada por um dossiê técnico que inclui o mapeamento de 67 postagens realizadas em colaboração. O material reúne capturas de tela, registros de URLs, métricas de engajamento e referências cruzadas que, segundo o partido, comprovam a ligação entre os perfis anônimos e os políticos citados. Além disso, a denúncia aponta a associação dessas contas com pedidos de doações via Pix, anúncios de cursos sobre inteligência artificial e a disseminação de jingles em plataformas como o TikTok.

O objetivo do PT com o acionamento da Justiça Eleitoral é interromper o que classifica como um fenômeno artificial de desinformação. A legenda busca que o tribunal investigue a origem do financiamento e a coordenação por trás dessas contas, visando coibir práticas que possam desequilibrar a integridade do debate eleitoral e democrático.

Repercussão e defesas

Até o momento, a maioria dos parlamentares citados na representação não se manifestou sobre as acusações. O deputado Gilvan da Federal, no entanto, negou qualquer envolvimento com a estrutura mencionada. Em nota oficial, o parlamentar afirmou que desconhece os fatos narrados e que não possui qualquer vínculo, coordenação ou participação em relação aos perfis apontados pelo PT.

O caso agora segue para análise do TSE, que deverá avaliar se há indícios suficientes para a abertura de uma investigação mais profunda ou a aplicação de medidas cautelares contra os envolvidos. O episódio reforça o papel central que o monitoramento de redes sociais e o combate à desinformação têm ocupado nas pautas do Judiciário brasileiro nos últimos anos.

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Fonte: redir.folha.com.br