Os resultados do Pisa 2025, divulgados recentemente, acenderam um alerta sobre a qualidade da educação no Brasil. A avaliação internacional, que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências, revelou que 51% dos alunos estão abaixo do nível básico em leitura e 72% em matemática. Esses números não apenas refletem uma crise educacional, mas também uma necessidade urgente de mobilização social e política em torno do tema.
O que os resultados do Pisa revelam
Os dados do Pisa são alarmantes e evidenciam a dificuldade dos estudantes brasileiros em habilidades fundamentais. Em leitura, a capacidade de identificar a ideia principal de um texto é uma habilidade básica que muitos não conseguem dominar. Em matemática, a situação é ainda mais crítica, com a maioria dos alunos incapazes de realizar operações simples que são essenciais para o dia a dia, como comparar distâncias ou converter preços.
Esses resultados não são apenas números; eles têm um impacto direto na vida dos jovens e, consequentemente, no futuro do país. A falta de habilidades básicas pode limitar as oportunidades de emprego e a capacidade de participar ativamente da sociedade. Além disso, a educação é um pilar fundamental para o desenvolvimento econômico e social, e a persistência desses problemas pode ter consequências a longo prazo.
A mobilização em torno das polêmicas
Curiosamente, a mobilização em torno de polêmicas educacionais, como o uso de determinados livros didáticos ou questões relacionadas a gênero, parece ser mais intensa do que a preocupação com os resultados do Pisa. Enquanto debates sobre o conteúdo escolar ganham destaque na mídia e nas redes sociais, a questão da compreensão de textos e a proficiência em matemática muitas vezes ficam em segundo plano.
Essa disparidade levanta questões sobre as prioridades da sociedade. Por que temas que afetam diretamente a aprendizagem dos alunos não geram a mesma indignação e mobilização? A resposta pode estar relacionada ao distanciamento das classes média e alta em relação ao sistema de ensino público, que muitas vezes optam por escolas privadas, deixando de lado a luta por melhorias na educação pública.
O papel das famílias e da sociedade
A participação das famílias de classe média e média alta é crucial para pressionar por mudanças significativas na educação pública. Como apontado pela economista Zeina Latif, o afastamento desses grupos em relação ao ensino público enfraquece a mobilização por melhorias. Quando os filhos estudam em instituições privadas, a urgência de lutar por uma educação de qualidade para todos parece diminuir.
Além disso, essa participação deve se estender ao processo eleitoral. Candidatos e governantes precisam ser responsabilizados pelos resultados educacionais e pelas condições das escolas. A pressão da sociedade civil pode ser um motor para mudanças, mas é necessário que essa pressão se traduza em ações concretas e em propostas que realmente abordem os problemas identificados nas avaliações.
Financiamento e gestão educacional
Outro ponto crucial é o financiamento da educação. O percentual do PIB destinado ao setor, por si só, não é suficiente para avaliar se os recursos são adequados. É necessário considerar o gasto por aluno, a etapa de ensino e o poder de compra. O debate sobre a quantidade de recursos deve ser acompanhado por uma discussão sobre a eficiência e a eficácia do uso desses recursos.
Se os alunos estão lendo, mas não compreendem o que leem, as soluções devem ser direcionadas para a formação de professores e para a melhoria dos materiais didáticos. Os gestores educacionais têm a responsabilidade de garantir que as condições necessárias para um ensino de qualidade estejam presentes nas escolas.
Conclusão: um chamado à ação
Diante dos resultados do Pisa, é fundamental que a sociedade brasileira se mobilize não apenas em torno de polêmicas, mas também em defesa de uma educação de qualidade. As próximas eleições oferecem uma oportunidade para avaliar o que os candidatos realmente fizeram pela educação e quais são suas propostas para resolver os problemas que afetam a aprendizagem dos jovens. Questionar como seriam financiadas essas propostas e acompanhar seus resultados deve ser parte do processo de escolha do voto.
A educação é um direito de todos e deve ser tratada com a seriedade que merece. O futuro do Brasil depende da capacidade de formar cidadãos críticos e bem preparados para os desafios do mundo contemporâneo. Portanto, é hora de agir e exigir mudanças significativas na educação brasileira.
Fonte: redir.folha.com.br
