FIFA desiste de plano para atrair investidores privados após forte pressão global

FIFA desiste de plano para atrair investidores privados após forte pressão global

Diversos

Pressão das confederações força recuo da entidade

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, anunciou oficialmente a desistência do polêmico projeto que visava abrir a entidade a investidores privados. A proposta, que gerou uma crise institucional sem precedentes nos últimos dias, pretendia criar a FIFA Forward Enterprise (FFE), uma estrutura voltada para a gestão de atividades comerciais e eventos da organização. O recuo ocorre após uma onda de críticas globais e ameaças de boicote por parte das principais confederações continentais.

Em comunicado oficial, Infantino reconheceu que a iniciativa gerou divisões internas profundas, afastando-se do objetivo de unidade que a entidade deveria promover. “Depois de ouvir atentamente todos os pontos de vista, ficou claro que o projeto criou divisões que já não atendem ao objetivo inicial”, afirmou o dirigente. A decisão marca um momento de fragilidade para a gestão, que também enfrenta a recente saída de Carlos Cordeiro, seu principal conselheiro.

Oposição da UEFA e temores de mercantilização

O plano, apresentado na última terça-feira, visava captar até US$ 4,2 bilhões através da venda de participações minoritárias de até 20% na nova empresa. O objetivo declarado era elevar o financiamento para o desenvolvimento do futebol global para US$ 10 bilhões nos próximos quatro anos. No entanto, a forma como a proposta foi conduzida e o conteúdo da abertura ao capital privado foram duramente questionados.

A UEFA liderou a resistência, ameaçando por unanimidade não participar das próximas competições organizadas pela FIFA, incluindo a Copa do Mundo, caso o projeto seguisse adiante. A entidade europeia, que reúne 55 federações, foi acompanhada pela CONCACAF e pela AFC, que também rejeitaram a proposta por falta de consenso. A CONMEBOL, por sua vez, exigiu esclarecimentos, enfatizando que o futebol deve estar acima de qualquer interesse financeiro externo.

Conexões políticas e incertezas sobre o futuro

Um dos pontos que alimentou as críticas foi a identidade dos potenciais investidores. Relatos apontaram o fundo Thrive Capital, fundado por Joshua Kushner, como um dos interessados. A conexão familiar com Jared Kushner, genro de Donald Trump, gerou especulações sobre conflitos de interesse, especialmente devido à proximidade de Infantino com o ex-presidente norte-americano durante os preparativos para a Copa do Mundo de 2026.

Se o plano tivesse sido aprovado, cada uma das 211 federações-membro poderia ter recebido um montante excepcional de US$ 20 milhões no início de 2027. Apesar do atrativo financeiro, a percepção de que o futebol estaria sendo “vendido” a interesses privados prevaleceu, forçando a FIFA a abandonar a ideia para evitar uma ruptura definitiva com suas confederações. Para mais análises sobre os bastidores do esporte mundial e o impacto das decisões da FIFA na economia do futebol, continue acompanhando o portal Conexrs, seu compromisso com a informação relevante e atualizada.

Fonte: noticiasaominuto.com.br