A Advent International consolidou recentemente sua posição como acionista relevante da Natura (NTCO3), atingindo a marca de 8% de participação na companhia. O movimento, que vinha sendo aguardado pelo mercado, abre caminho para uma reconfiguração na governança da fabricante de cosméticos. Para formalizar essa nova etapa, um grupo de acionistas detentores de 38,82% do capital da empresa solicitou a convocação de duas Assembleias Gerais Extraordinárias (AGEs) para deliberar sobre mudanças estruturais.
Governança e a nova composição do conselho
O objetivo central das assembleias é viabilizar a entrada de representantes da gestora no comando estratégico da Natura. A primeira pauta visa aprovar a dispensa da obrigatoriedade de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), conforme previsto no estatuto social da empresa. Atualmente, o regulamento interno estipula que qualquer investidor que ultrapasse o patamar de 25% de participação deve realizar uma oferta para adquirir a totalidade das ações dos demais sócios, uma regra que os acionistas buscam flexibilizar para permitir o novo acordo.
Na segunda assembleia, a proposta é ampliar o Conselho de Administração de nove para dez membros. Caso aprovada, a mudança permitirá a inclusão de dois executivos ligados à Advent: Juan Pablo Zucchini, managing partner da gestora para a América Latina, e Rafael Patury Carneiro Leão, managing director da Advent Brasil. A empresa reforça que, apesar do reforço, a gestora não assumirá o controle majoritário, mantendo-se como uma sócia estratégica com foco em governança e comitês específicos.
Perspectivas de mercado e apoio estratégico
Analistas do JP Morgan avaliam a movimentação como um sinal positivo para a credibilidade da companhia. Em um momento em que a Natura busca focar suas operações na América Latina, a presença de um investidor experiente no setor de varejo e consumo é vista como um catalisador para maior disciplina na alocação de capital. A expectativa é que a Advent contribua para uma execução mais eficiente da estratégia de longo prazo, embora o impacto operacional deva ser gradual.
A entrada da gestora ocorre em um contexto de transição societária, após a Natura vender ativos globais, como a The Body Shop e a Avon International, para simplificar sua estrutura. O desafio agora é transformar essa nova configuração em resultados concretos, superando as dificuldades que a empresa enfrenta para retomar o crescimento sustentável de receita e a recuperação das margens de lucro.
Desafios operacionais e a crise de estoques
Apesar do otimismo com a nova governança, a Natura atravessa um momento delicado. A empresa alertou o mercado sobre resultados desafiadores para o segundo trimestre, impactados diretamente por problemas logísticos. A implementação de um novo sistema de gestão, o SAP, e a reorganização da produção após o fechamento da fábrica de Interlagos geraram escassez de produtos, afetando a produtividade das consultoras.
A companhia tem trabalhado na normalização dos estoques, priorizando a categoria de fragrâncias, mas admite que instabilidades pontuais podem persistir no curto prazo. Este cenário de pressão operacional é um dos principais obstáculos que a nova composição do conselho terá de enfrentar. A trajetória da Natura segue sob observação atenta de investidores, que buscam sinais claros de que a simplificação da estrutura resultará, enfim, em uma geração de caixa mais robusta.
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Fonte: seudinheiro.com
