Colostragem correta reduz mortalidade de bezerros e garante futuro do rebanho

Colostragem correta reduz mortalidade de bezerros e garante futuro do rebanho

Geral

A sobrevivência e o desenvolvimento produtivo de um rebanho começam nos minutos que sucedem o nascimento. No cenário da pecuária de cria brasileira, a mortalidade de bezerros ainda é um desafio constante, sendo as falhas na colostragem uma das causas mais frequentes e evitáveis de perdas precoces. O manejo adequado desse primeiro alimento é o pilar que sustenta a imunidade do animal, que chega ao mundo sem defesas naturais contra os patógenos presentes no ambiente.

O zootecnista Daniel Miranda, mestre em produção de ruminantes e gerente de produtos da Zoetis, destaca que a janela de oportunidade para essa proteção é extremamente restrita. Como o sistema imunológico do recém-nascido é imaturo, a transferência passiva de anticorpos — as imunoglobulinas — depende inteiramente da ingestão do colostro. Sem esse aporte, o bezerro torna-se vulnerável a infecções que podem ser fatais nas primeiras semanas de vida.

Protocolo 2-4-6 para a colostragem eficiente

Para mitigar erros operacionais, especialistas recomendam a adoção rigorosa da regra do 2-4-6, um protocolo que simplifica a rotina na maternidade. O objetivo é garantir que o bezerro receba a carga necessária de anticorpos antes que a capacidade de absorção intestinal diminua drasticamente.

  • 2 horas: a primeira mamada deve ocorrer dentro das duas primeiras horas de vida.
  • 4 litros: o volume ingerido deve ser equivalente a 10% do peso vivo do animal.
  • 6 horas: o ciclo completo de ingestão deve ser finalizado até a sexta hora de vida.

A observação do comportamento animal é o melhor indicador de sucesso. Um bezerro saudável deve apresentar reflexo de sucção ativo e buscar o teto da mãe em até uma hora após o parto. A ausência de diarreias e a coloração normal da urina nos três primeiros dias de vida confirmam que o manejo nutricional e sanitário foi bem executado.

Desafios operacionais na maternidade

Um dos maiores gargalos nas fazendas é a falta de monitoramento durante os partos noturnos. Quando uma vaca pare durante a madrugada, a janela de seis horas pode se encerrar antes que a equipe inicie o turno de trabalho, deixando o bezerro desprotegido. Estruturar escalas de plantão e treinar a equipe para intervir prontamente é essencial para evitar prejuízos que comprometem todo o investimento genético realizado durante a gestação.

Em casos de partos distócicos, onde a vaca apresenta exaustão, o bezerro pode não ter energia suficiente para mamar. Nesses cenários, a intervenção humana é indispensável. O uso de mamadeiras ou sondas esofágicas deve ser feito por profissionais capacitados, garantindo que o animal receba o volume correto sem riscos de aspiração ou sufocamento.

Aferição da qualidade e cuidados pós-parto

Não basta apenas fornecer o colostro; é preciso garantir que ele seja de alta qualidade. O uso do refratômetro óptico, que mede o grau Brix, tornou-se uma ferramenta indispensável para o pecuarista moderno. O padrão ouro estabelecido para a proteção do rebanho é a utilização de colostro com concentração igual ou superior a 25% Brix.

Além da nutrição, o ambiente pós-parto desempenha um papel crucial. Secar o bezerro, mantê-lo aquecido e acomodá-lo em uma cama limpa evita a hipotermia, preservando a energia que o animal usaria para regular a temperatura corporal. Ao focar nesses detalhes técnicos, o produtor eleva o patamar de sanidade da fazenda e garante uma taxa de sobrevivência muito superior.

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Fonte: canalrural.com.br