A safra de laranja para a temporada 2026/27 no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais foi revisada para 263,2 milhões de caixas de 40,8 quilos. Apesar desse aumento, a produção ainda se mostra 9,9% inferior à safra anterior, conforme dados do relatório Agro Mensal de setembro, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
O ajuste positivo na estimativa foi impulsionado pelo aumento do peso dos frutos, especialmente das variedades precoces e de meia-estação, que se beneficiaram de um período de chuvas que, em média, ficou 51% acima da normalidade entre maio e agosto. Este período é crucial para o desenvolvimento das frutas, pois a maior disponibilidade de água e a permanência das laranjas nas árvores por mais tempo favoreceram o ganho de peso.
Aumento da produção e desafios persistentes
Embora a previsão tenha sido elevada em 7,95 milhões de caixas, representando um crescimento de 3,1%, a produção total ainda está aquém do que foi registrado na safra de 2025/26. A queda de 9,9% indica que, apesar do aumento do peso médio das frutas, outros fatores continuam a limitar a oferta nesta temporada.
O cenário é complexo, pois o volume destinado à indústria dependerá da evolução da colheita, do rendimento das variedades tardias e das condições climáticas nos próximos meses. Até meados de agosto, apenas 27% da produção havia sido colhida, um ritmo considerado abaixo do normal, semelhante ao observado na safra anterior. Essa lentidão é atribuída à alta participação de frutos da segunda florada, que apresentam um desenvolvimento mais tardio.
Mercado e preços sob pressão
A indústria tem priorizado o processamento de frutas provenientes de pomares próprios e de contratos já firmados, o que resulta em menor interesse por laranjas disponíveis no mercado spot. Com estoques relativamente confortáveis, a necessidade de acelerar a aquisição de frutas diminui, limitando a liquidez e reduzindo o espaço para uma recuperação significativa nos preços pagos ao produtor.
Atualmente, o preço da laranja destinada à indústria em São Paulo permanece estável em R$ 30,40 por caixa de 40,8 quilos, um patamar considerado baixo. O contrato de referência do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) foi cotado a 138,15 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, uma queda de 3,1% em relação ao mês anterior.
Impacto nas exportações e no varejo
As exportações brasileiras de suco de laranja também enfrentam desafios, com um volume de 54,5 mil toneladas exportadas em agosto, o que representa uma queda de 26,9% em relação a julho. A receita gerada foi de US$ 123 milhões, mas o preço médio recuou 12%, resultando em uma diminuição de 36% no faturamento mensal. A menor demanda dos Estados Unidos, que recuou 41,2% no mesmo período, foi um dos principais fatores dessa retração.
No mercado norte-americano, o preço de uma lata de 473 mililitros de suco de laranja concentrado foi de US$ 4,82 em julho, marcando a terceira queda mensal consecutiva. Apesar disso, o preço ainda é 3,9% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, indicando que a correção no mercado internacional começa a afetar o consumidor, embora os preços ainda permaneçam elevados.
Perspectivas futuras para a citricultura
A safra 2026/27 apresenta um quadro misto para a citricultura brasileira. O aumento do peso dos frutos é um sinal positivo, mas a produção total ainda é inferior à do ano anterior. Além disso, a queda nos preços internacionais do suco e a diminuição das exportações exigem atenção. O desempenho das variedades tardias, as condições climáticas e a demanda dos Estados Unidos serão determinantes para os preços da laranja e do suco nos próximos meses.
À medida que a colheita avança, será crucial monitorar esses fatores para entender o impacto no mercado e na rentabilidade dos produtores. O acompanhamento contínuo das condições climáticas e da demanda internacional será essencial para a recuperação do setor.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
