Polícia Federal indicia 16 pessoas por tragédia aérea da Voepass em Vinhedo

Polícia Federal indicia 16 pessoas por tragédia aérea da Voepass em Vinhedo

Rio Grande do Sul

Investigação aponta falhas sistêmicas e negligência

A Polícia Federal concluiu, nesta quinta-feira (6), o inquérito que apura as causas da queda do voo da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo, ocorrida em 9 de agosto de 2024. A tragédia, que resultou na morte de 62 pessoas, culminou no indiciamento de 16 funcionários e ex-funcionários da companhia aérea. Entre os nomes listados pela autoridade policial estão o proprietário da empresa, José Luiz Felício Filho, e o diretor de manutenção, Eric Consoli.

O grupo foi indiciado pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, conforme previsto no artigo 261 do Código Penal. A legislação brasileira estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão para quem expõe aeronaves a perigo, com agravantes significativos quando o episódio resulta em quedas e vítimas fatais.

Falhas técnicas e cultura de omissão

O relatório elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) revelou um cenário crítico que antecedeu o acidente. Segundo a perícia, a aeronave modelo ATR 72-500 perdeu o controle em pleno voo devido a uma combinação fatal: o acúmulo severo de gelo nas asas, a inoperância do sistema pneumático de degelo e a execução inadequada de cinco procedimentos operacionais pelos pilotos.

A investigação da PF foi além da falha mecânica imediata. Dados extraídos da caixa-preta comprovaram que o sistema de degelo já apresentava problemas em voos anteriores, mas essas intercorrências não foram devidamente registradas nos diários de bordo. O delegado responsável pelo caso destacou a existência de uma cultura interna de “não report”, onde anomalias eram omitidas para evitar que as aeronaves fossem retiradas de operação. Relatos indicam, inclusive, que havia orientação da chefia para que os pilotos evitassem comunicações que pudessem impedir a realização dos voos.

Histórico de alertas e fiscalização

O acidente em Vinhedo não ocorreu em um vácuo de avisos. Documentos indicam que, 11 meses antes da tragédia, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realizou uma vistoria na Voepass e identificou irregularidades relacionadas ao despacho de aeronaves sem condições ideais de decolagem. Naquele período, o mesmo avião que viria a cair já apresentava indícios de falhas no sistema de degelo, um componente vital para a segurança em condições meteorológicas adversas.

Busca por justiça pelas famílias

Para as famílias das 62 vítimas, o indiciamento representa apenas o início de um longo processo de responsabilização. A associação que representa os parentes dos falecidos reforçou que o relatório da PF é um passo fundamental, mas não encerra a busca por justiça. O grupo planeja ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra empresas e indivíduos que, por ação ou omissão, contribuíram para o desfecho trágico.

Em nota, a Voepass informou que aguardava a divulgação oficial do relatório para analisar integralmente as conclusões da Polícia Federal e preparar sua manifestação jurídica. O caso segue agora para o Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncia à Justiça. Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros temas relevantes da atualidade, continue conectado ao Conexrs, seu portal de referência em informação contextualizada e compromisso com o jornalismo de qualidade.

Fonte: agorars.com