Brasileira é morta pelo filho de 15 anos em Portugal; investigação aponta histórico de violência familiar

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Uma brasileira de 33 anos, identificada como Gabriela Barbosa, foi morta pelo próprio filho, de 15 anos, no município de Oeiras, na região metropolitana de Lisboa, em Portugal.

Segundo as autoridades portuguesas, o adolescente confessou o crime e relatou que aplicou um golpe conhecido como “mata-leão” durante uma discussão. O caso ocorreu na residência onde a vítima vivia com os dois filhos.

Após o crime, o adolescente permaneceu no apartamento por aproximadamente um dia com o corpo da mãe antes de procurar a polícia e se entregar. A irmã dele, de apenas 4 anos, estava na residência e teria presenciado o episódio. A criança foi posteriormente colocada sob os cuidados de uma pessoa considerada idônea pelas autoridades portuguesas.

Investigação revela histórico de violência

O caso ganhou uma dimensão ainda mais complexa após a Polícia Judiciária portuguesa apontar que o homicídio pode estar relacionado a um histórico de violência física e psicológica dentro da família.

Segundo as autoridades, havia registros de situações de violência doméstica envolvendo os pais das crianças. O pai do adolescente está preso preventivamente desde outubro de 2025 por violência contra a mãe. Além disso, denúncias envolvendo a família já haviam chegado à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras desde 2024.

O adolescente teria relatado às autoridades que também sofria agressões da mãe e que ela fazia ameaças contra a filha mais nova. Segundo relatos divulgados pela imprensa portuguesa, ele já teria procurado as autoridades anteriormente e apresentado gravações relacionadas às supostas ameaças. A Polícia Judiciária investiga justamente se esse histórico teve relação direta com o crime.

Adolescente não responderá como adulto

A legislação portuguesa estabelece 16 anos como idade mínima para responsabilização criminal. Como o adolescente tem 15 anos, ele é considerado inimputável perante o sistema penal comum e não será submetido a um processo criminal nos mesmos moldes de um adulto.

Isso não significa, entretanto, que ficará sem consequências. O jovem está sujeito à Lei Tutelar Educativa, que permite a aplicação de medidas socioeducativas, incluindo internamento em centro educativo. Segundo informações divulgadas sobre o caso, o Tribunal de Família e Menores de Cascais determinou seu internamento.

Família enfrenta agora outra batalha

Gabriela era natural de Osasco, em São Paulo, e havia se mudado para Portugal em 2024 com os filhos para se reunir ao marido, que já estava no país. Ela trabalhava em um restaurante e vivia com os dois filhos em Oeiras.

Com a morte da mãe e o pai preso, a situação da menina de quatro anos tornou-se outra preocupação. Familiares no Brasil buscam providências para que a criança possa retornar ao país e estão tentando obter documentação emergencial. O corpo de Gabriela, segundo informações divulgadas pela família, poderá ser sepultado em Portugal devido aos custos elevados de traslado para o Brasil.

O ponto central da investigação

O caso não está sendo tratado pelas autoridades portuguesas apenas como um homicídio isolado. A investigação procura esclarecer o ambiente familiar que antecedeu a morte, incluindo as denúncias de violência, o acompanhamento realizado pela proteção de menores e as alegações apresentadas pelo adolescente.

A Polícia Judiciária afirmou que o contexto do crime poderá estar relacionado a eventuais maus-tratos físicos e psicológicos praticados pela vítima contra os filhos, mas essas circunstâncias ainda fazem parte da investigação e não devem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados.

Fonte: Polícia Judiciária de Portugal / Polícia de Segurança Pública de Portugal