Anvisa proíbe chás e cápsulas que prometem efeito semelhante ao Mounjaro

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição, apreensão e retirada do mercado de uma série de produtos vendidos com promessas de emagrecimento semelhantes às atribuídas ao Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida. A decisão foi publicada na sexta-feira (14) e alcança produtos sem registro, notificação ou cadastro sanitário.

Quais produtos foram atingidos

Entre os itens proibidos estão produtos da linha Milagroso Ervas, comercializados com diferentes denominações, como:

  • Milagroso Ervas Black;
  • Milagroso Ervas Mounjaro Turbo;
  • Milagroso Ervas Mounjaro 3x Turbo;
  • Milagroso Ervas Detox;
  • Mounfor X Emagrecedor;
  • Milagroso Ervas Cápsula Azul;
  • Milagroso Ervas Mounjaro Rosa;
  • Milagroso Ervas Mounjaro;
  • Milagroso Ervas Vermelho;
  • Milagroso Ervas.

A agência também determinou a apreensão e proibiu o Chá Sarapião, da empresa Natural Ervas Produtos Naturais Ltda. (Farmagon). Segundo a Anvisa, o produto não possui registro, notificação ou cadastro e a empresa não tem autorização sanitária para funcionar.

Por que a Anvisa proibiu os produtos?

O principal problema apontado pela agência é a ausência de regularização sanitária. Os produtos não passaram pelo processo necessário para comprovar requisitos de segurança, qualidade e regularidade antes de serem comercializados.

Além da fabricação e venda, a determinação também impede distribuição, divulgação e uso dos produtos. Isso significa que empresas, vendedores e até pessoas que estejam promovendo esses itens podem ser atingidos pela medida.

Mounjaro não é um chá

Um ponto importante para o consumidor é diferenciar as promessas comerciais dos produtos proibidos do medicamento verdadeiro.

O Mounjaro contém tirzepatida, substância que atua sobre receptores hormonais relacionados à regulação da glicose e da saciedade. O medicamento possui registro na Anvisa e tem indicações terapêuticas específicas. Em abril, a agência inclusive ampliou sua indicação para o tratamento de diabetes tipo 2 em pacientes pediátricos a partir dos 10 anos.

Portanto, um chá, cápsula ou produto natural não pode ser considerado equivalente ao Mounjaro simplesmente porque utiliza o nome da marca ou promete resultados semelhantes.

O alerta ocorre em meio a uma ofensiva contra produtos irregulares

A decisão mais recente faz parte de uma sequência de ações da Anvisa envolvendo medicamentos e produtos relacionados às chamadas “canetas emagrecedoras”.

Em junho, a agência determinou a apreensão de produtos à base de tirzepatida sem registro sanitário. Em julho, também determinou a apreensão de lotes falsificados de Mounjaro, identificados com números de lote não reconhecidos ou características divergentes do medicamento original.

A agência também vem intensificando a fiscalização sobre importação e manipulação irregular de medicamentos com tirzepatida, semaglutida e liraglutida, diante do crescimento da procura por tratamentos para emagrecimento.

Risco para quem busca alternativas mais baratas

A popularidade do Mounjaro e de outras canetas para controle de peso criou um mercado paralelo de produtos que prometem resultados semelhantes por preços menores. O problema é que, quando não há registro sanitário, o consumidor não tem as mesmas garantias de composição, procedência, fabricação, armazenamento e controle de qualidade.

O Conselho Federal de Medicina também alertou médicos neste mês para que não prescrevam ou facilitem o acesso a tirzepatida sem registro sanitário válido, incluindo formulações manipuladas que estejam fora das normas brasileiras.

Orientação ao consumidor

Quem tiver algum dos produtos incluídos na determinação da Anvisa não deve continuar utilizando o produto. A recomendação é verificar a procedência de qualquer produto vendido como “emagrecedor”, principalmente aqueles que utilizam nomes associados a medicamentos conhecidos.

A orientação também vale para compras realizadas pela internet e pelas redes sociais. Promessas de emagrecimento rápido ou de efeito “igual ao Mounjaro” não significam que o produto tenha eficácia ou segurança comprovadas.

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)