Filho de Milton Leite é eleito deputado federal mesmo com pai preso por elo com PCC nos ônibus

Filho de Milton Leite é eleito deputado federal mesmo com pai preso por elo com PCC nos ônibus

Política

A política paulistana registrou um resultado emblemático nas eleições de 2026. Mesmo detido em decorrência de uma investigação que apura a infiltração do crime organizado no sistema de transporte coletivo da capital, o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) conseguiu transferir parte de seu capital político para a família, garantindo a eleição de seu filho, Milton Leite Filho, para a Câmara dos Deputados.

O cenário eleitoral, marcado pela influência do clã Leite, contrasta com a gravidade das acusações que pesam contra o patriarca. Enquanto Milton Leite Filho assegurou uma vaga no Legislativo federal, o outro filho do ex-vereador, Alexandre Leite, que buscava uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo, não obteve sucesso nas urnas. Ambos concorreram pelo União Brasil, mesma sigla do pai.

A sombra da investigação sobre o transporte coletivo

A prisão de Milton Leite ocorreu em setembro, no âmbito de uma operação da Polícia Civil voltada a desarticular esquemas de lavagem de dinheiro e infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em empresas de ônibus que operam na cidade de São Paulo. A Justiça aponta o ex-vereador como o “dono de fato” da Transwolff, companhia que teria sido utilizada para movimentar recursos ilícitos do grupo criminoso.

Documentos e inquéritos policiais indicam conexões diretas entre o político e agentes de segurança pública. Relatos apontam que policiais militares presos, que realizavam a escolta privada de diretores da empresa, referiam-se a Milton Leite como “chefe” em comunicações interceptadas. O político nega as irregularidades, mas a robustez das provas levou à sua detenção e ao afastamento da vida pública ativa.

Influência política e o apoio de lideranças estaduais

Apesar do desgaste causado pela operação policial, a campanha dos filhos de Milton Leite contou com suporte financeiro e político expressivo. O ex-vereador doou R$ 60 mil para as candidaturas, dividindo o valor igualmente entre os dois filhos. Além do aporte financeiro, o patriarca participou ativamente da articulação política antes de sua prisão.

O prestígio do grupo político ficou evidente semanas antes do pleito, quando lideranças de peso participaram do lançamento das candidaturas dos irmãos. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o deputado estadual André do Prado (PL) marcaram presença no evento. Após a prisão de Leite, o governador Tarcísio buscou distanciar sua imagem, classificando a relação com o ex-vereador como “estritamente institucional”.

Trajetória de poder na Câmara Municipal

A longevidade de Milton Leite na política paulistana é um dos fatores que explicam a resiliência de seu grupo eleitoral. Ele exerceu sete mandatos consecutivos como vereador entre 1997 e 2024. Destacou-se como o presidente mais longevo da história da Câmara Municipal de São Paulo desde a redemocratização, ocupando a presidência da Casa por seis anos, divididos entre os biênios 2017-2018 e 2021-2024.

A operação policial que culminou em sua prisão cumpriu mandados em diversas cidades, incluindo São Paulo, Santos e Praia Grande, totalizando 16 ordens de prisão e 18 buscas e apreensões. O caso segue sob análise do Judiciário e representa um dos momentos mais críticos para a classe política da capital paulista nos últimos anos. Para acompanhar os desdobramentos desta investigação e outros fatos relevantes da política nacional, continue conectado ao ConexRS, seu portal de informação com credibilidade e análise aprofundada.

Fonte: redir.folha.com.br