A JBS vem ampliando a utilização de resíduos da cadeia de alimentos como matéria-prima para a produção de biodiesel, transformando materiais que poderiam ser descartados em combustível renovável. A operação é conduzida pela Biopower, empresa da JBS Novos Negócios, que mantém três unidades industriais em Lins (SP), Campo Verde (MT) e Mafra (SC). Juntas, as plantas possuem capacidade próxima de 1 bilhão de litros de biodiesel por ano.
Entre as principais matérias-primas estão o sebo bovino, subproduto da indústria frigorífica, e o óleo de cozinha usado. A estratégia permite integrar diferentes etapas da cadeia produtiva e aplicar o conceito de economia circular, no qual resíduos retornam ao processo produtivo como insumos para novos produtos.
Óleo de cozinha também vira combustível
Um dos principais projetos da companhia é o Óleo Amigo, criado para recolher óleo de cozinha usado e encaminhá-lo para a produção de biodiesel. Segundo a JBS, o programa já recolheu 50 milhões de litros de óleo ao longo de uma década. Somente em 2025 foram 11,3 milhões de litros, recorde anual da iniciativa.
A expansão chegou a Campo Verde (MT), onde o primeiro ano de operação resultou na coleta de 2 milhões de litros. A empresa estima que o reaproveitamento do óleo evitou a contaminação de mais de 1 trilhão de litros de água ao longo da história do programa.
Investimento em tecnologia
A Biopower também vem investindo na modernização das fábricas. Em dezembro de 2025, a empresa anunciou R$ 140 milhões para modernizar as três unidades e incorporar tecnologia de esterificação enzimática. O processo utiliza enzimas em substituição aos catalisadores químicos tradicionais e permite maior flexibilidade no uso de matérias-primas.
A tecnologia também pode aumentar o aproveitamento de subprodutos que anteriormente eram comercializados separadamente, direcionando uma parcela maior desses materiais para a produção de biodiesel. A empresa projetou produção superior a 650 milhões de litros em 2025, enquanto a capacidade instalada das três plantas se aproxima de 1 bilhão de litros anuais.
O que isso representa para o agronegócio
O movimento mostra como a indústria de proteína animal e o setor de biocombustíveis estão cada vez mais integrados. O sebo, que anteriormente tinha menor valor agregado em determinadas aplicações, passa a fazer parte de uma cadeia energética de maior escala.
Além do benefício ambiental, o modelo cria uma fonte adicional de valor para resíduos agroindustriais e reduz a dependência de matérias-primas convencionais. Para o Brasil, que possui uma das maiores cadeias de produção de carnes do mundo e um mercado relevante de biodiesel, essa integração representa uma oportunidade de ampliar a produção de energia renovável dentro da própria cadeia do agronegócio.
A experiência também evidencia uma tendência que pode ganhar espaço entre empresas brasileiras: transformar resíduos em ativos econômicos, reduzindo custos ambientais e criando novas fontes de receita.
Fonte principal: Canal Rural, com informações complementares da JBS/Divisão Biopower.
