Compromisso fiscal e ajuste no Bolsa Família
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, refutou categoricamente as críticas de que o reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado recentemente, possua motivações eleitoreiras. Em entrevista concedida à CNN Brasil neste sábado (19), o chefe da equipe econômica enfatizou que a medida foi desenhada para respeitar os limites orçamentários vigentes, sem recorrer a artifícios fiscais ou créditos extraordinários que pudessem comprometer a estabilidade das contas públicas.
Segundo o ministro, o reajuste tem como objetivo central a recomposição do poder de compra das famílias beneficiárias, corroído pela inflação acumulada desde a última reformulação do programa, em março de 2023. Durigan destacou que a gestão atual tem mantido um rigoroso controle sobre os gastos, diferenciando a estratégia adotada daquelas observadas em administrações anteriores.
Equilíbrio orçamentário e cortes previdenciários
Para viabilizar o incremento no benefício, o governo federal prepara o anúncio de um pacote de medidas fiscais, previsto para o próximo dia 24 de setembro. O impacto estimado da medida é de R$ 5,8 bilhões para o exercício atual e de R$ 22,7 bilhões para o próximo ano. A estratégia da equipe econômica consiste em realizar um remanejamento de despesas, priorizando a manutenção do programa social em detrimento de outros gastos.
Durigan explicou que o espaço fiscal necessário será aberto por meio de cortes em despesas previdenciárias, cujos detalhes serão apresentados à sociedade em breve. “Esses R$ 5,8 bilhões vão sair de algum lugar, e nós vamos acomodar. Já anunciamos o compromisso de mostrar os gastos previdenciários que vão sair de cena para dar lugar ao Bolsa Família”, afirmou o ministro.
Inflação e o cálculo do benefício
A base técnica para o reajuste de 15% é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação de preços para famílias com rendimentos de até cinco salários mínimos. O governo sustenta que o índice reflete com precisão a perda inflacionária do período entre março de 2023 e agosto de 2024. Caso o cálculo considerasse o período iniciado em agosto de 2022, a correção necessária para manter o valor real seria de 17,5%.
Regulação das apostas online
Além da questão orçamentária, o governo mantém o foco na regulação do mercado de apostas online, as chamadas bets. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha manifestado publicamente o desejo de restringir severamente a atuação dessas plataformas, o Ministério da Fazenda ainda discute os contornos legais das medidas de endurecimento.
Dados obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo via Lei de Acesso à Informação revelam a magnitude do setor: em 2025, as bets autorizadas movimentaram R$ 220,6 bilhões em depósitos, com um saldo negativo para os apostadores de R$ 36,9 bilhões. O governo avalia que esse fluxo financeiro impacta diretamente o orçamento das famílias, tornando urgente a discussão sobre novas regras de controle e tributação.
O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos da política econômica nacional e os impactos das medidas do governo federal no cotidiano dos brasileiros. Continue conosco para se manter informado com análises aprofundadas e notícias apuradas sobre os temas que moldam o futuro do país.
Fonte: redir.folha.com.br
