A pesquisa para o desenvolvimento de um bioproduto destinado ao controle do percevejo-do-arroz em Santa Catarina está alcançando novas etapas promissoras. Após a identificação de um fungo com potencial para combater essa praga, pesquisadores e representantes do setor produtivo se uniram para criar uma formulação adequada para aplicação nas lavouras.
Na última quarta-feira (09), uma reunião na sede do Sistema da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), em Florianópolis, reuniu a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e as cooperativas Cooperjuriti, Cooperja e Coopersulca, além da Urbano Agroindustrial e da Ballagro, uma empresa especializada em bioprodutos agrícolas. O objetivo é transformar os resultados obtidos pela pesquisa em uma tecnologia que integre o manejo do percevejo-do-arroz, racionalizando o uso de inseticidas e minimizando os riscos para a produção e o meio ambiente.
O impacto do percevejo-do-arroz na produção agrícola
O percevejo-do-arroz, da espécie Oebalus poecilus, é uma das principais pragas que afetam as lavouras de arroz irrigado em Santa Catarina. Este inseto ataca os grãos durante a formação, podendo causar perdas significativas na produtividade e na qualidade do produto final. A pressão por alternativas ao uso de inseticidas químicos tem aumentado, impulsionada pela demanda dos próprios produtores e cooperativas que buscam soluções mais sustentáveis.
Desenvolvimento do bioproduto e suas etapas
Em resposta a essa necessidade, a Epagri lançou o projeto “Prospecção e bioprospecção de microrganismos para o controle do percevejo-do-arroz”. Após três anos de pesquisa, foi identificado um fungo da espécie Beauveria bassiana, conhecido por sua eficácia no controle biológico de diversas pragas agrícolas. A próxima fase do projeto será dedicada ao desenvolvimento de uma formulação que preserve a eficácia desse agente biológico e possibilite sua aplicação nas condições específicas das lavouras catarinenses.
A Ballagro, localizada em Bom Jesus dos Perdões (SP), participará desse processo, unindo conhecimento científico à experiência industrial necessária para transformar o fungo em um bioproduto comercializável. Antes de ser lançado no mercado, o produto passará por diversas etapas, incluindo formulação, avaliação de eficiência, validação agronômica e cumprimento das exigências regulatórias.
Vantagens do manejo integrado de pragas
Segundo a Epagri, a adoção de um manejo integrado para o controle do percevejo-do-arroz pode contribuir para a racionalização das aplicações de inseticidas nas áreas de cultivo. A proposta não se limita a substituir uma tecnologia por outra, mas visa ampliar as ferramentas disponíveis para monitorar e controlar a praga de forma eficaz. O controle biológico, quando aplicado corretamente, pode reduzir aplicações desnecessárias, preservar organismos benéficos e minimizar os riscos de resíduos e contaminação ambiental.
Além disso, essa tecnologia pode alinhar a produção agrícola às exigências de sustentabilidade e segurança alimentar, aspectos cada vez mais valorizados nos mercados nacional e internacional.
Cooperação entre pesquisa e setor produtivo
O projeto conta com o apoio das cooperativas Cooperjuriti, Cooperja, Coopersulca e Urbano Agroindustrial, que garantem que as demandas dos produtores sejam consideradas no desenvolvimento da tecnologia. Vanir Zanatta, presidente do Sistema OCESC e da Cooperja, enfatiza a importância da colaboração entre pesquisa, empresas e cooperativas, afirmando que essa união transforma necessidades do campo em inovações práticas.
A articulação entre diferentes cooperativas em torno de um problema comum também reforça o conceito de intercooperação, onde organizações do mesmo setor compartilham conhecimento e recursos para buscar soluções coletivas. Essa integração pode acelerar a validação das tecnologias, facilitar testes em condições variadas e ampliar o alcance dos resultados entre os agricultores.
Com o avanço para a fase de formulação, o projeto se aproxima de um momento decisivo para transformar o fungo identificado em uma solução efetiva para os produtores de arroz irrigado em Santa Catarina.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
