Ativista pede transparência em investigação de atentado na Bolívia

Bolívia: Justiça abre investigação de atentado contra ativista

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O Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia determinou que a investigação sobre o atentado a tiros contra a ativista e advogada Nadia Beller tramite sem sigilo, assegurando total acesso aos autos e garantias à vítima, conforme solicitação aceita pelo presidente da corte, Rómer Saucedo.

A dinâmica do atentado em Santa Cruz de la Sierra

O crime ocorreu na última segunda-feira (17), quando dois motociclistas abordaram a vítima em frente a um hotel em Santa Cruz de la Sierra, disparando à queima-roupa. Atingida no pescoço, no tórax e no braço direito, a ativista de 33 anos foi internada e acusa o ex-companheiro de ser o mandante da tentativa de homicídio.

Segundo o relato da própria Nadia Beller, ela foi ao local após receber a promessa de provas contra o ex-presidente Evo Morales, tendo sido encorajada pelo suspeito, que lhe assegurou segurança no endereço.

Prisão do principal suspeito e desdobramentos judiciais

As autoridades prenderam o argentino Fernando Cerimedo, de 45 anos, no Aeroporto Internacional Viru Viru, quando ele tentava embarcar para a Argentina. Conselheiro do presidente boliviano Rodrigo Paz e ex-estrategista de Javier Milei, Cerimedo nega participação e aponta uma armação política.

O Ministério Público boliviano, representado pelo fiscal-geral Roger Mariaca Montenegro, informou que pedirá a prisão preventiva do assessor por até 180 dias, investigando a possibilidade de novos mandantes. O presidente Rodrigo Paz também cobrou rigor e total transparência nas apurações por meio de suas redes sociais.

Histórico do consultor político na Argentina e no Brasil

Conhecido internacionalmente, o argentino foi apelidado pela revista The Economist de o “homem do MAGA na América Latina”. Na esfera regional, sua trajetória inclui polêmicas eleitorais.

No Brasil, Fernando Cerimedo ganhou notoriedade no final de 2022 ao difundir alegações infundadas sobre fraudes nas urnas eletrônicas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, conteúdo que o Tribunal Superior Eleitoral mandou retirar do ar. Posteriormente, a Polícia Federal o indiciou por participação na tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito após os atos de 8 de janeiro de 2023.