Braskem (BRKM5) enfrenta queda drástica após rebaixamento do UBS BB e revisão de preço-alvo

Braskem (BRKM5) enfrenta queda drástica após rebaixamento do UBS BB e revisão de preço-alvo

Economia

As ações da Braskem (BRKM5) sofreram uma queda acentuada de mais de 13% nesta quarta-feira (16), após o UBS BB rebaixar a recomendação da empresa de neutra para venda. Essa decisão veio quase um mês após a companhia entrar com um pedido de recuperação extrajudicial, acumulando mais de R$ 50 bilhões em dívidas.

O UBS BB fez uma revisão drástica no preço-alvo das ações da petroquímica, reduzindo de R$ 10,50 para R$ 3,75, o que representa um corte de aproximadamente 74%. Para os American Depositary Receipts (ADRs) negociados no exterior, a projeção caiu de US$ 4,00 para US$ 1,50. Essa nova estimativa sugere um potencial de queda de cerca de 30% para BRKM5 em relação ao fechamento anterior, ampliando a perda acumulada na B3, que já supera 41% desde o início do ano.

Os analistas do UBS BB reconheceram que o rebaixamento chega em um momento tardio, considerando a forte queda das ações nos últimos três meses e os desafios contínuos enfrentados pela empresa, como os spreads e o processo de reestruturação. Eles afirmam que a Braskem está em uma situação complicada, sem uma solução simples à vista.

Desafios do mercado petroquímico

A situação da Braskem é agravada por um cenário desfavorável no mercado petroquímico. Os spreads petroquímicos, que haviam se beneficiado inicialmente do conflito no Oriente Médio, perderam força. A companhia enfrenta a necessidade de negociar com credores uma redução de dívida complexa, o que pode impactar significativamente a participação dos acionistas atuais.

“Vemos a Braskem em uma situação difícil, sem uma saída simples”, afirmam os analistas. O UBS BB estima que, em 2027, o setor enfrentará um pico de adições de capacidade de polietileno (PE), com 7,6 milhões de toneladas entrando em operação, enquanto a demanda deve crescer apenas 4,6 milhões de toneladas.

Impacto da dívida nos acionistas

A situação financeira da Braskem é igualmente preocupante. A companhia tem até 22 de novembro para chegar a um acordo com 50% mais um dos credores. O UBS BB estima que a empresa precisará reduzir sua dívida líquida em cerca de US$ 6 bilhões a US$ 6,5 bilhões para alcançar níveis sustentáveis de alavancagem e geração de caixa.

Uma solução viável pode envolver a conversão de dívida em ações, descontos sobre a dívida e injeção de capital. No entanto, isso pode resultar em uma diluição significativa para os acionistas minoritários, que poderiam ver sua participação reduzida em até 95%.

O mercado já começou a refletir esse risco no preço das ações, que acumulam uma queda de aproximadamente 40% no ano. A Braskem encerrou 2025 com cerca de US$ 1 bilhão em caixa, um nível considerado insustentável pelos analistas.

Perspectivas futuras e volatilidade

Se um acordo for aprovado, o plano definitivo substituirá o acordo de suspensão temporária das obrigações e passará à fase de implementação. Contudo, essa etapa pode demorar a ser concluída. Caso não haja um acordo com os credores, a Braskem poderá ser forçada a entrar com um pedido de recuperação judicial, um processo mais complexo e demorado.

Enquanto isso, a operação da Braskem continuará a ser impactada pelo cenário adverso do setor. O UBS BB projeta um EBITDA pressionado e um maior consumo de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) nos próximos anos, o que pode exigir uma solução mais abrangente para a estrutura de capital da companhia.

“Com os riscos inclinados para o lado negativo, mantemos recomendação de venda”, concluem os analistas.

Fonte: seudinheiro.com