Carlos Slim amplia presença no setor de petróleo enquanto Pemex enfrenta crise financeira

Carlos Slim amplia presença no setor de petróleo enquanto Pemex enfrenta crise financeira

Geral

O conglomerado Grupo Carso, liderado pelo bilionário Carlos Slim, reforçou sua posição estratégica no setor de energia mexicano ao adquirir a participação da TotalEnergies no Bloco 30, localizado na Bacia de Salina, no Golfo do México. A operação, realizada por meio da subsidiária Zamajal, transfere 30% de fatia do ativo para o grupo do empresário, em um movimento que ocorre em um momento de fragilidade acentuada da estatal Pemex.

Expansão estratégica em ativos privados

O Bloco 30, situado a cerca de 29 quilômetros da costa, abriga a descoberta conhecida como KAN e possui uma área de 30,5 km². Com a aquisição, a Carso consolida sua presença na província petrolífera de Cuencas del Sureste, área que foi objeto de leilões durante a reforma energética ocorrida entre 2013 e 2014. A operação será mantida sob a liderança da Harbour Energy, que detém os 70% restantes do consórcio.

Este movimento não é isolado. Em janeiro, o grupo de Slim já havia anunciado um investimento de aproximadamente US$ 600 milhões para assumir os campos da russa Lukoil no país. A estratégia demonstra uma clara preferência do conglomerado por ativos que operam fora da dependência direta da gestão da Pemex, mesmo que o grupo ainda mantenha parcerias em projetos como o megacampo de Zama e o campo de gás de Lakach.

O desafio estrutural da Pemex

A expansão de Carlos Slim ocorre em um cenário onde a Pemex, outrora o motor econômico do México, enfrenta uma crise de endividamento superior a US$ 85 bilhões. A situação da companhia mexicana tem sido comparada por analistas ao período de turbulência vivido pela Petrobras há uma década. A falta de capacidade de investimento da estatal tem resultado na queda gradual da produção, que hoje gira em torno de 1,6 milhão de barris diários, bem abaixo dos 3,5 milhões registrados no início dos anos 2000.

Em sua última conferência anual, Slim foi enfático ao classificar a crise da Pemex como o principal problema econômico do país. O empresário, que é o maior parceiro privado da estatal, declarou na ocasião que não pretende buscar novas sociedades com a empresa pública neste momento, sinalizando uma cautela diante da instabilidade financeira da companhia.

Mudanças políticas e o futuro energético

O setor de energia no México passou por profundas transformações nas últimas décadas. Após a abertura de mercado promovida pelo ex-presidente Enrique Peña Nieto, o governo de Andrés Manuel López Obrador iniciou, a partir de 2018, uma política de reversão, buscando centralizar novamente o controle na Pemex. A atual gestão, sob o comando da presidente Claudia Sheinbaum, mantém a prioridade na estatal, mas tem buscado alternativas para viabilizar investimentos, incluindo uma aproximação técnica com a Petrobras.

O governo mexicano tem tentado implementar medidas de saneamento, como a criação de um fundo para projetos estratégicos e o pagamento de fornecedores, com a meta ambiciosa de tornar a petrolífera independente de aportes do Tesouro a partir de 2027. Enquanto o Estado tenta reestruturar sua gigante, o mercado observa como os grandes conglomerados privados, como o de Slim, continuam a moldar o futuro da exploração de hidrocarbonetos na região.

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Fonte: braziljournal.com