Avanço da colheita sob influência climática
A colheita de café arábica na região de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) registrou um avanço significativo, atingindo 51% do volume total previsto para a safra 2026/27 até o dia 17 de julho. O dado representa um salto em relação aos 40% reportados na semana anterior. Contudo, o ritmo atual ainda se mantém abaixo do desempenho observado no mesmo período do ciclo passado, quando os produtores já haviam concluído 58% das operações.
O cenário climático tem sido o principal determinante para o fluxo dos trabalhos no campo. De acordo com a Expocacer, chuvas isoladas registradas ao longo da última semana impactaram a secagem nos terreiros e dificultaram o recolhimento do café de chão, que depende de condições de solo mais secas para a operação mecanizada. Por outro lado, a colheita do fruto diretamente na planta seguiu seu curso, aproveitando as janelas de tempo firme nas propriedades dos cooperados no Cerrado Mineiro.
Qualidade e indicadores técnicos do grão
O boletim técnico semanal divulgado pela cooperativa traz um panorama detalhado sobre a qualidade do produto que chega aos armazéns. Até o momento, cerca de 31% da produção já passou pelo processo de beneficiamento. O rendimento médio registrado está em torno de 520 litros por saca beneficiada, um indicador fundamental para a rentabilidade do produtor.
Entre os aspectos qualitativos, o relatório apontou um aumento no percentual de catação, que subiu para 19,7%. Em contrapartida, houve uma redução na proporção de grãos com peneira 17 acima, situando-se em 27,65%. Um ponto positivo destacado pelos técnicos é a baixa incidência de broca, o que reflete um controle fitossanitário eficiente nas lavouras durante o ciclo produtivo.
Desafios para o potencial produtivo futuro
A preocupação central dos técnicos de campo da Expocacer reside na necessidade de acelerar o ritmo das atividades. A permanência prolongada da carga nas plantas gera um estresse fisiológico desnecessário, reduzindo o intervalo crítico entre o encerramento da colheita e o início da próxima florada. Esse atraso pode comprometer a recuperação das lavouras, limitando a recomposição de reservas nutricionais e energéticas essenciais para o desenvolvimento vegetativo.
A longo prazo, o impacto pode ser sentido na uniformidade da florada e no potencial produtivo da safra subsequente. Para mitigar esses riscos, a expectativa é de que a janela de tempo seco prevista pelos modelos meteorológicos até o dia 22 de julho permita que os produtores ganhem velocidade nas operações. A cooperativa, que reúne mais de 800 associados, mantém a projeção de colher 2,8 milhões de sacas de café arábica na região em 2026.
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Fonte: canalrural.com.br
