Cotação do trigo no Paraná alcança patamar recorde em doze meses

Cotação do trigo no Paraná alcança patamar recorde em doze meses

Geral

Alta nos preços reflete escassez de oferta no mercado

O mercado brasileiro de trigo vive um momento de valorização expressiva. Dados recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que as cotações no Paraná atingiram o maior nível real desde agosto de 2025. Esse movimento de alta é sustentado principalmente pela baixa disponibilidade de produto no mercado spot, cenário que tem pressionado as negociações entre produtores e a indústria de moagem.

No fechamento da última segunda-feira (3), o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná registrou o valor de R$ 1.406,32 por tonelada. O número representa uma leve alta diária de 0,03%, consolidando uma tendência de valorização que já havia sido observada ao longo de julho, quando o indicador acumulou um avanço de 2,72%, encerrando o mês cotado a R$ 1.405,92 por tonelada.

Dinâmica de mercado e busca por qualidade

A pressão sobre os preços não é aleatória. A necessidade de recomposição de estoques por parte dos compradores tem forçado uma elevação gradual nas ofertas. O objetivo é atrair produtores que ainda possuem lotes disponíveis, especialmente aqueles que apresentam padrões de qualidade superiores, cada vez mais escassos no mercado interno.

Do lado da oferta, os triticultores mantêm uma postura cautelosa. Com a disponibilidade limitada da safra 2025, as negociações tornaram-se pontuais. O produtor, ciente da restrição de estoque, tem optado por comercializar apenas o necessário, aguardando sinais mais claros do mercado para liberar volumes maiores.

Impactos climáticos e o papel do El Niño

Além dos fatores puramente econômicos, o clima tem desempenhado um papel central na formação de preços. O Cepea destaca que os efeitos do fenômeno El Niño começaram a ser sentidos com maior intensidade na última semana de julho. O volume elevado de chuvas, acompanhado por ventos intensos, gerou preocupação entre os triticultores do Sul do país.

No Rio Grande do Sul, o cenário também reflete essa instabilidade, com o preço médio atingindo R$ 1.325,69 por tonelada, uma alta diária de 0,29%. Embora o estado tenha registrado um leve recuo de 0,57% no acumulado de julho, a tendência de sustentação dos preços permanece, especialmente no mercado de balcão paranaense, onde o risco climático tem sido um fator determinante para a cautela na comercialização.

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Fonte: canalrural.com.br