Risco de insolvência do Brasil é zero, afirma economista Felipe Salto

Risco de insolvência do Brasil é zero, afirma economista Felipe Salto

Economia

Em um cenário marcado por debates intensos sobre a sustentabilidade das contas públicas brasileiras, a percepção do mercado financeiro muitas vezes se distancia da realidade operacional do Estado. Para o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, o alarmismo que domina parte das análises sobre o risco fiscal do país carece de fundamento técnico. Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, o ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) foi enfático ao descartar qualquer possibilidade de colapso financeiro nacional.

“O risco de o Brasil quebrar é zero. Não existe risco de insolvência”, afirmou Salto. Segundo o especialista, o país possui um mercado de dívida pública robusto e um colchão de liquidez que supera a marca de R$ 1 trilhão, fatores que, na sua visão, blindam o Tesouro contra cenários de calote. A divergência reside no fato de que parte dos agentes econômicos projeta juros elevados de forma perpétua, ignorando a capacidade de ajuste fiscal e a resiliência do sistema financeiro local.

A realidade do risco fiscal e a solvência nacional

Embora rejeite o discurso de catástrofe, Salto reconhece que a trajetória da dívida pública, que orbita 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), exige atenção e medidas corretivas. O economista argumenta que o mercado está correto ao demandar estabilidade, mas falha ao interpretar o momento atual como uma crise de ruptura iminente. Para ele, a solução não requer medidas drásticas ou impopulares, mas sim uma liderança política capaz de articular consensos no Congresso Nacional.

O plano de voo sugerido pelo economista para o próximo governo envolve a busca por um superávit modesto, entre 0,3% e 0,5% do PIB. A estratégia baseia-se na construção de um horizonte crível, evitando choques abruptos que poderiam desestabilizar a economia sem garantir o equilíbrio fiscal a longo prazo. A estabilização, segundo Salto, é um processo de construção política e técnica que o Brasil já demonstrou ser capaz de realizar em sua história recente.

Prioridades para o ajuste das contas públicas

Ao abordar o caminho para o equilíbrio, Salto defende uma hierarquia de cortes que preserve, em um primeiro momento, a base da pirâmide social. O economista sugere que o governo foque em despesas com menor respaldo popular e privilégios estruturais antes de tocar em programas de transferência de renda ou benefícios previdenciários.

Entre as medidas prioritárias, o especialista destaca:

  • Redução expressiva das emendas parlamentares;
  • Combate rigoroso aos supersalários no funcionalismo público;
  • Revisão de benefícios tributários ineficientes, que totalizam cerca de R$ 620 bilhões anuais;
  • Ajuste em programas sociais que apresentaram crescimento acima das expectativas.

Para o economista, a legitimidade do ajuste depende dessa ordem de prioridades. Ao demonstrar que o esforço fiscal não recai apenas sobre os mais vulneráveis, o governo ganha capital político para implementar reformas mais profundas e necessárias, incluindo a revisão de subsídios e incentivos fiscais que impactam o lado das receitas.

Repercussões e o cenário macroeconômico

O debate sobre a saúde fiscal do país ocorre em um momento de incertezas globais. No quadro de destaques negativos do podcast, Salto pontuou o desgaste institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a pressão inflacionária gerada pela escalada do preço do petróleo, reflexo das tensões no Oriente Médio. Por outro lado, a atualização da metodologia do Ibovespa pela B3, com a inclusão de BDRs, foi vista como um movimento positivo para o mercado de capitais.

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Fonte: seudinheiro.com