A instabilidade climática provocada pelo fenômeno El Niño tem colocado o setor agropecuário de Santa Catarina em estado de alerta. Com a previsão de volumes pluviométricos acima da média e o risco elevado de temporais severos, produtores rurais buscam alternativas técnicas para proteger suas lavouras e garantir a continuidade da produção. A estratégia central tem sido o investimento em infraestrutura de conservação, como o terraceamento, visando mitigar os danos causados pelo escoamento descontrolado da água.
No município de Guatambu, no oeste catarinense, a propriedade de Terezinha Trombeta tornou-se um exemplo prático dessa adaptação necessária. A granja passou por adequações estruturais que incluíram a construção de 10 terraços. Essas estruturas atuam como barreiras físicas fundamentais para reduzir a velocidade da enxurrada sobre as áreas cultivadas, minimizando processos erosivos e promovendo uma melhor infiltração e conservação hídrica no solo, elementos cruciais para a resiliência da safra diante de eventos climáticos extremos.
O impacto financeiro das tempestades no campo
A preocupação dos produtores não é infundada. No dia 11 de setembro, uma tempestade de grandes proporções atingiu o oeste do estado, deixando um rastro de destruição em diversas áreas agropecuárias. Levantamentos realizados pela Secretaria de Agricultura, pela Epagri e pela Coperalfa apontaram prejuízos que superaram a marca de R$ 3 milhões. O episódio serviu como um alerta sobre a vulnerabilidade do sistema produtivo diante da irregularidade climática que, segundo especialistas, tende a se intensificar com o fenômeno El Niño.
Estratégias de mitigação e suporte técnico
O enfrentamento desses desafios exige uma atuação coordenada entre o setor privado e o poder público. As cooperativas têm desempenhado um papel vital na assistência técnica, auxiliando os produtores na identificação de áreas críticas que necessitam de intervenções imediatas, como o terraceamento ou a melhoria de drenagens. Paralelamente, o governo de Santa Catarina mantém um plano de contingência articulado com a Defesa Civil, estruturando a resposta dos órgãos estaduais para minimizar os impactos socioeconômicos das chuvas.
Para dar suporte à recuperação e à prevenção, o estado disponibiliza programas como o Reconstrói SC e o Pronamp Agro SC. Essas iniciativas buscam oferecer o fôlego financeiro necessário para que o produtor possa investir em tecnologias de proteção e recuperar ativos perdidos. Além disso, a Epagri disponibiliza guias técnicos específicos sobre o comportamento do El Niño na agricultura catarinense, mantendo o setor atualizado com dados climáticos e orientações agronômicas precisas para cada fase do ciclo produtivo.
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Fonte: canalrural.com.br
