A convergência entre o campo e a comunicação estratégica
A relação entre o setor agropecuário e as ferramentas de comunicação nunca foi tão vital. Historicamente, os conceitos de publicidade e propaganda possuem origens distintas, mas complementares. Enquanto a publicidade foca no ato de tornar algo público — como o cultivo e a poda que permitem o crescimento das videiras —, a propaganda remete à propagação de valores, crenças e conceitos. Para o agronegócio brasileiro, a integração dessas duas frentes não é apenas uma escolha estética, mas uma necessidade estratégica para consolidar a imagem do país no cenário global.
A propaganda, formalizada em 1622 pelo papa Gregório XV com a criação da Congregatio de Propaganda Fide, tinha o objetivo de difundir a fé. Hoje, o desafio do setor é similar: construir uma consciência coletiva sobre a revolução tecnológica agro tropical desenvolvida no Brasil ao longo das últimas cinco décadas. O agronegócio moderno precisa transitar entre a venda de produtos e serviços, papel da publicidade, e a defesa de ideais, valores e sustentabilidade, função clássica da propaganda.
O papel da imagem na era da desinformação
Em um mundo marcado pela polarização, a comunicação do agro enfrenta barreiras perceptuais significativas. O professor Ray Goldberg, criador do conceito de agribusiness em Harvard, defendia que o sistema agroalimentar possui a capacidade única de reunir a sociedade em torno de um objetivo comum: a saúde planetária. No entanto, o avanço de fake news e a desinformação sobre as práticas ambientais brasileiras exigem uma resposta rápida e qualificada.
A inexistência de uma gestão estratégica de comunicação deixa o setor vulnerável a críticas infundadas e barreiras comerciais desnecessárias. A adoção de critérios ESG (ambientais, sociais e de governança) é um passo fundamental, mas que precisa ser comunicado com eficácia para que a legitimidade da produção brasileira seja reconhecida tanto internamente quanto pelos mercados internacionais. Como aponta a análise de José Luiz Tejon, sem uma estratégia robusta de propaganda e publicidade, o setor corre o risco de realizar um trabalho extraordinário sem conquistar o reconhecimento ou a torcida do público.
Marca Brasil e o futuro do agronegócio
Pesquisas internacionais indicam que a marca Brasil é fortemente associada a quatro pilares: natureza, povo, turismo e agro. Esta síntese é o ativo mais valioso para a construção de um plano estratégico nacional. O Brasil, como um país que acolheu imigrantes de diversas partes do mundo, possui uma capacidade única de amalgamar culturas e produzir segurança alimentar e energética em larga escala.
O futuro do setor depende da capacidade de comunicar essa diversidade, que abrange biomas como Amazônia, Pantanal, Caatinga, Pampa e Mata Atlântica. A governança da água e o desenvolvimento de sistemas agrisilvipastoris serão pilares fundamentais frente às mudanças climáticas. Para que esse potencial se traduza em valor percebido, o setor deve investir em talentos criativos capazes de gerar empatia e conectar o campo à cidadania global.
O Conexrs mantém seu compromisso com a análise aprofundada dos temas que movem o Brasil. Continue acompanhando nossas reportagens para entender como a economia, a tecnologia e a comunicação moldam o futuro do agronegócio e de outros setores estratégicos para o desenvolvimento nacional.
Fonte: canalrural.com.br
