A chegada do inverno impõe um desafio clássico ao setor de alimentação fora do lar: a mudança no comportamento do consumidor. Com a queda nas temperaturas, a busca por conforto e acolhimento altera as prioridades de consumo, forçando marcas a adaptarem seus portfólios para manter o fluxo nas lojas e elevar o ticket médio. Longe de serem apenas ajustes sazonais, essas movimentações revelam uma estratégia estruturada para combater a sazonalidade e fidelizar clientes através da experiência.
A psicologia do consumo em dias frios
Para especialistas, o inverno transforma a alimentação em um ato emocional. Segundo Victor Toledo, analista de negócios do Sebrae-SP, o consumidor deixa de buscar apenas a saciedade fisiológica para procurar sensações de bem-estar. Esse fenômeno explica o sucesso de itens como cafés especiais, caldos e pães artesanais, que se tornam protagonistas quando o clima esfria. A estratégia das empresas, portanto, é capitalizar sobre esse desejo de “abraço” gastronômico, transformando o ponto de venda em um refúgio.
Inovação e escala na Casa Bauducco
A Casa Bauducco é um exemplo de como o planejamento antecipado pode mitigar os efeitos do frio. Com um projeto que demandou cerca de oito meses de desenvolvimento, a rede lançou um cardápio completo de inverno, indo além das ativações pontuais de anos anteriores. A aposta incluiu cinco versões de chocolate quente — com sabores que vão do gengibre ao pistache — e a introdução do Velutto, um topping cremoso para finalização.
O desafio logístico de replicar essa experiência em mais de 200 unidades foi superado com o uso de insumos padronizados, importados da Itália. De acordo com Camila Forte, gerente executiva de marketing da marca, a inovação trouxe um incremento de pelo menos 6% no ticket médio, provando que o consumidor está disposto a pagar por uma experiência diferenciada, mesmo em produtos que ele poderia preparar em casa.
Diversificação em negócios de produtos gelados
O setor de sorvetes e açaí enfrenta o maior obstáculo durante a estação. Para contornar a queda natural na demanda, redes como a The Best Açaí apostaram na hibridização do cardápio. A empresa lançou um petit gâteau em formato self-service, permitindo que o cliente combine o bolinho quente com a base fria do açaí ou sorvete. A estratégia visa manter o fluxo de clientes e oferecer novas ocasiões de consumo, com o suporte de um lote inicial de 100 mil unidades distribuídas em mais de 800 unidades.
Na mesma linha, a Cuor di Crema tem passado por um reposicionamento estratégico. A marca, que historicamente via o interesse pelo gelato diminuir, agora foca em ser um destino de indulgência durante todo o dia. Ao incluir sanduíches, cafés especiais e sobremesas quentes, a rede busca consolidar sua presença no cotidiano do cliente, independentemente da estação do ano.
O impacto das sopas e pratos quentes no faturamento
O sucesso das adaptações também é visível em redes como a Boulangerie Carioca. Com uma inspiração francesa, a empresa observou um crescimento médio de 25% no faturamento durante o inverno após incluir sopas e brunches no menu. A percepção de que o cliente busca uma refeição completa, e não apenas um lanche rápido, foi o motor para essa expansão. A estratégia de oferecer pratos quentes e sazonais tornou-se um pilar de sustentabilidade financeira para o negócio.
O Conexrs segue acompanhando as tendências do mercado e como as empresas brasileiras se adaptam aos desafios econômicos e sazonais. Continue conosco para mais análises sobre o setor de varejo e o comportamento do consumidor.
Fonte: seudinheiro.com
