O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) está prestes a provocar mudanças significativas nas cadeias produtivas brasileiras, afetando não apenas as exportações para o bloco europeu, mas também operações destinadas a mercados internos e asiáticos. A nova legislação, que entra em vigor em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores e em 30 de junho de 2027 para pequenos e micro operadores, estabelece padrões rigorosos de rastreabilidade e geolocalização que as empresas precisarão adotar para garantir a conformidade, mesmo para produtos que nunca chegarão à Europa.
Impacto nas cadeias produtivas brasileiras
A EUDR exige que as empresas brasileiras revisem seus fornecedores, cadastros e controles de origem em toda a cadeia produtiva. Por exemplo, uma fazenda que vende soja para a Ásia e café no mercado interno poderá ser submetida a controles de rastreabilidade semelhantes em todas as transações. Essa uniformização é necessária para evitar a duplicação de processos e custos operacionais, que poderiam surgir da adoção de sistemas distintos para diferentes mercados.
A legislação abrange não apenas produtos primários, mas também uma variedade de derivados, exigindo que as mercadorias atendam a três condições principais: não estar associadas ao desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020, respeitar a legislação do país de origem e apresentar a documentação de due diligence exigida.
Desafios e oportunidades para os produtores
As empresas precisarão fornecer informações detalhadas sobre a origem da produção, incluindo a geolocalização das áreas envolvidas. A responsabilidade legal pela declaração no sistema europeu recai sobre o operador que coloca o produto no mercado da União Europeia, mas isso não isenta os fornecedores brasileiros de suas obrigações práticas.
O impacto da EUDR pode se estender a negócios destinados a mercados como Brasil e Ásia, devido à dificuldade de gerenciar estruturas separadas. Uma empresa que compra matéria-prima de diversas propriedades pode se ver na necessidade de manter uma cadeia totalmente georreferenciada para os clientes europeus e outra com controles diferentes para os demais destinos, o que se traduz em custos elevados e complexidade operacional.
Rastreabilidade como padrão de mercado
A exigência da EUDR pode funcionar como um indutor de padrões mais amplos de controle dentro das empresas brasileiras. Um relatório da Comissão Europeia de 2026 destaca que países produtores estão utilizando a preparação para a EUDR como um estímulo para fortalecer sistemas de rastreabilidade e monitoramento das cadeias produtivas. Iniciativas brasileiras já estão sendo implementadas para integrar dados ambientais e registros de propriedades rurais, preparando o setor para as novas exigências.
A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, também está adotando medidas semelhantes, exigindo cartões eletrônicos dos produtores em um novo sistema nacional de rastreabilidade. Esse movimento demonstra que o controle de origem passou a ser uma questão central na rotina de produção e comercialização, e não apenas uma exigência no final da cadeia.
A importância da due diligence
Para o agronegócio e outros setores onde a origem dos insumos é crucial, como mineração e siderurgia, a estruturação de processos de due diligence pode ir além do simples cumprimento de regras. Controles consistentes podem reduzir o risco de interrupções comerciais e facilitar a adaptação a diferentes exigências dos clientes.
A principal transformação provocada pela EUDR pode ocorrer antes mesmo da carga atravessar o Atlântico. A capacidade de comprovar a origem dos produtos torna-se decisiva para a preservação de mercados e manutenção da competitividade. Nesse novo cenário, as empresas precisarão adotar uma arquitetura de dados que responda simultaneamente às exigências de governos, mercados e clientes, começando pelo mapeamento da cadeia de fornecimento e garantindo que cada mercadoria possa ser rastreada até sua origem sempre que solicitado.
A EUDR, portanto, não apenas redefine as regras do jogo para as exportações brasileiras, mas também pode elevar os padrões de rastreabilidade e transparência em toda a cadeia produtiva, beneficiando tanto os produtores quanto os consumidores finais.
Continue acompanhando o NOME_DO_SITE para mais informações sobre as novas regulamentações e suas implicações para o agronegócio brasileiro.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
