Faesp promove fórum sobre controle populacional de javalis e suas consequências

Geral
Javali; evento
Fotos: Marcelo Catacci/Faesp

O Fórum Javali: Impactos, Estratégias e Ação Coordenada, promovido pelo Departamento de Sustentabilidade da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), reuniu especialistas, caçadores e produtores rurais para discutir a urgência de medidas eficazes para o controle da população de javalis. O evento destacou os riscos econômicos, ambientais e sanitários que esses animais representam, especialmente para pequenos produtores.

A pesquisa realizada pela Faesp, com a participação de 76 sindicatos paulistas, revelou que a presença de javalis é uma realidade em todas as regiões do estado. Os principais afetados são os produtores de grãos, mas também há relatos de perdas em culturas de cítricos e olericultura, além da contaminação de recursos hídricos que abastecem as propriedades. Segundo José Luiz Fontes, coordenador do Departamento de Sustentabilidade, a situação é alarmante: “A maior parte dos produtores paulistas são pequenos, familiares, o que impacta decisivamente na sua permanência no campo. É necessária uma ação coordenada e efetiva para controlar os animais e levar mais segurança ao meio rural.”

Casos de sucesso e a importância de uma força-tarefa

Durante o fórum, foram apresentados exemplos de sucesso no controle de javalis em países como Estados Unidos e Austrália. Os especialistas enfatizaram a necessidade de uma força-tarefa que envolva todos os setores, desde a criação de legislações que não penalizem os produtores até a implementação de plataformas de monitoramento e cadastro de profissionais de manejo e caça. Livia Martins, diretora de Biodiversidade e Florestas do Ibama, destacou a importância de eventos como o fórum para criar uma rede de informações e construir um mapa real da presença dos javalis no Brasil. “Hoje temos uma plataforma que é declaratória e o Ibama vem desenvolvendo uma nova, que pretende mostrar a realidade da situação no país”, explicou Martins.

O consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Júlio Daniel do Vale, que colaborou na elaboração das propostas do fórum, reiterou a necessidade de que esse evento seja um primeiro passo para estruturar ações futuras. O subsecretário da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Diógenes Kassaoka, também reforçou a importância de um planejamento coordenado.

Na abertura do fórum, o presidente da Faesp, Tirso Meirelles, colocou o Sistema Faesp/Senar à disposição para auxiliar na defesa de políticas públicas mais eficazes e na definição de cursos que atendam à urgência do problema. “Esse evento é essencial para que possamos sair daqui com uma estrutura pronta de ação”, afirmou Meirelles.

Pontos fundamentais do documento final

Os debates do fórum resultaram em quatro premissas inegociáveis que orientarão as ações futuras. A primeira é o tratamento rigoroso do problema, reconhecendo os danos econômicos, ambientais e sanitários causados pelos javalis. A segunda premissa é a estruturação de uma Política Pública de Estado integrada, que deve envolver diversas pastas e garantir a participação ativa dos produtores rurais. A terceira é a necessidade de estratégias fundamentadas em ciência e coordenação governamental, com ações pautadas no conhecimento técnico-científico e no monitoramento contínuo da população de javalis.

Por fim, a quarta premissa destaca a aceleração e efetividade das medidas no campo, exigindo ações céleres e eficazes que não fiquem aquém da capacidade reprodutiva da praga. O objetivo é mitigar os riscos e, quando possível, erradicar completamente essa espécie invasora.

Impactos da presença do javali no campo

Considerado uma das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo, o javali já está presente em 15 unidades da Federação e possui uma elevada capacidade de adaptação e reprodução. Além de consumir e destruir plantações, os javalis provocam pisoteio e danos ao solo, cercas e estruturas das propriedades, o que eleva os custos dos produtores com proteção e controle.

Em 2026, foram registrados relatos de perdas de até 40% na cultura do milho em áreas severamente afetadas. Um estudo econômico publicado em 2025 indicou que, em um cenário intermediário envolvendo milho, soja e cana-de-açúcar, o controle populacional poderia resultar em um aumento de 0,15% no PIB até 2030, com um benefício estimado de aproximadamente R$ 1.016 para cada animal manejado.

O controle populacional de javalis é, portanto, uma questão urgente que demanda ações coordenadas e eficazes, visando não apenas a proteção da agricultura, mas também a preservação do meio ambiente e a saúde pública. O fórum promovido pela Faesp é um passo importante nesse sentido, reunindo diferentes atores em busca de soluções.

Fonte: canalrural.com.br