A unidade da Midea em Pouso Alegre foi palco de uma paralisação de trabalhadores após a denúncia de que um gerente chinês teria agredido fisicamente um funcionário brasileiro durante o expediente. O protesto, realizado na terça-feira (23), reuniu centenas de empregados na entrada da fábrica e elevou a tensão entre a empresa, o sindicato e os trabalhadores.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre e Região, a agressão teria ocorrido em 15 de junho, quando um colaborador do setor de qualidade foi atingido por tapas nas costelas e por golpes com uma borracha de vedação industrial, conhecida como “gaxeta”. A entidade afirma que um boletim de ocorrência foi registrado e que o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho para investigação.
Protesto interrompe produção
A mobilização começou ainda durante a madrugada e bloqueou o acesso à planta industrial, que emprega cerca de 2.500 pessoas. De acordo com o sindicato, aproximadamente 1.200 trabalhadores aderiram ao movimento, interrompendo temporariamente parte das operações da fábrica. Durante a assembleia, lideranças sindicais afirmaram que novas paralisações e até uma greve poderão ocorrer caso a empresa não adote medidas consideradas adequadas.
O presidente do sindicato, Francisco Pereira, conhecido como “Piauí”, classificou o episódio como incompatível com a legislação brasileira e afirmou que agressões físicas no ambiente de trabalho são inadmissíveis. Representantes da Central Única dos Trabalhadores também participaram do ato e defenderam uma apuração rigorosa dos fatos.
Empresa diz que afastou o gerente
Em nota, a Midea informou que tomou conhecimento da denúncia, instaurou uma investigação interna e afastou preventivamente o gerente apontado pelos trabalhadores enquanto a apuração é realizada. A fabricante declarou ainda que mantém política de tolerância zero para qualquer forma de violência, assédio ou desrespeito nas relações de trabalho.
Até o momento, não há conclusão oficial sobre a ocorrência nem confirmação das acusações pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Caso amplia debate sobre relações de trabalho
O episódio reacende discussões sobre o crescimento do número de executivos e técnicos estrangeiros em empresas chinesas instaladas no Brasil. Dados recentes mostram aumento significativo na emissão de vistos de trabalho para profissionais chineses, especialmente em grandes projetos industriais. Especialistas ressaltam que diferenças culturais na gestão não justificam qualquer prática que viole a legislação trabalhista brasileira ou os direitos fundamentais dos empregados.
Independentemente da nacionalidade dos envolvidos, agressões físicas no ambiente corporativo podem gerar responsabilização civil, trabalhista e criminal, além de motivar atuação do Ministério Público do Trabalho e dos órgãos de fiscalização.
