Igp-10 registra alta de 1,47% em setembro devido a preços agropecuários e risco de El Niño

Igp-10 registra alta de 1,47% em setembro devido a preços agropecuários e risco de El Niño

Agro

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) apresentou uma elevação de 1,47% em setembro de 2026, um aumento significativo em relação ao avanço de 0,51% registrado em agosto. Os dados foram divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e refletem uma pressão acentuada dos preços agropecuários, além das incertezas climáticas associadas ao fenômeno El Niño.

Com essa alta, o IGP-10 acumula uma valorização de 2,97% no ano e de 3,29% nos últimos 12 meses. Em setembro de 2025, o índice havia avançado apenas 0,21%, com uma alta acumulada de 2,88% em um ano. Essa aceleração é um sinal claro de que as condições do mercado estão mudando, especialmente em relação aos produtos do setor agropecuário.

Pressão dos preços agropecuários

A elevação dos preços no atacado foi o principal motor da alta do IGP-10, com destaque para os produtos agropecuários. A expectativa de um El Niño mais intenso elevou o prêmio de risco no mercado, levando empresas a anteciparem compras de grãos. Essa movimentação demonstra que as expectativas climáticas podem influenciar os preços antes mesmo de haver confirmação de perdas nas lavouras.

Os compradores, atentos ao risco de redução na oferta e ao encarecimento das matérias-primas, buscam garantir o abastecimento. Essa antecipação de compras gerou uma pressão adicional sobre os preços entre agosto e setembro.

Volatilidade das commodities e seus impactos

Além dos produtos agropecuários, os preços das commodities da indústria extrativa também apresentaram volatilidade. De acordo com a FGV, essa oscilação está ligada aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que afetam os mercados de energia e matérias-primas minerais. Essa instabilidade pode ter reflexos diretos sobre diferentes cadeias produtivas, incluindo o agronegócio.

As oscilações nos preços das commodities impactam os custos industriais e logísticos, o que pode resultar em um aumento geral nos preços ao consumidor. Essa situação é preocupante, pois pode afetar a inflação e a economia como um todo.

Impacto no Índice de Preços ao Consumidor

No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a tarifa de energia elétrica residencial subiu 7% em setembro. Essa alta ocorreu após o término do bônus de Itaipu, que havia reduzido temporariamente as contas de luz. Outro fator relevante foi o reajuste nacional da tabela de cigarros, que subiu 16,47%, contribuindo para a aceleração dos preços ao consumidor.

Na construção civil, os condutores elétricos continuam a pressionar o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que acumula uma valorização de 23% nos últimos 12 meses. O aumento do cobre, principal matéria-prima utilizada na fabricação desses componentes, é um dos fatores que explicam essa alta.

Perspectivas futuras e atenção ao mercado

A alta de 1,47% em setembro é um indicativo de que a inflação está se acelerando, especialmente quando comparada à variação de 0,21% observada no mesmo mês do ano anterior. A inflação acumulada em 12 meses passou de 2,88% para 3,29%, reforçando a necessidade de atenção ao comportamento dos preços no atacado e os possíveis efeitos do clima sobre o mercado de grãos.

Embora os impactos produtivos do El Niño ainda não estejam confirmados, a percepção de risco já está influenciando as estratégias de compra e a formação das cotações no agronegócio. O cenário exige vigilância por parte dos agentes econômicos, que devem estar preparados para lidar com as incertezas que podem surgir nos próximos meses.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br