O recente anúncio de um novo pacote de tarifas comerciais pelo governo de Donald Trump gerou reações imediatas nos mercados globais, mas a avaliação de especialistas aponta para um cenário de resiliência para o Brasil. Segundo análise do Itaú, embora o movimento norte-americano traga desafios, o impacto direto sobre a economia brasileira deve ser menos severo do que o observado em episódios anteriores de tensão comercial.
As novas alíquotas de 25% sobre produtos brasileiros, que entram em vigor nesta quarta-feira (22), são resultado de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O órgão aponta supostas práticas comerciais prejudiciais por parte do Brasil. Além disso, o governo dos Estados Unidos sinalizou a aplicação de taxas adicionais de até 12,5% para países sob investigação por trabalho forçado, lista na qual o Brasil foi incluído.
Resiliência comercial e o novo tarifaço
Para os economistas Pedro Schneider e Julia Gottlieb, do Itaú, o temor de um choque econômico generalizado é exagerado. A principal justificativa reside na capacidade de adaptação do setor exportador brasileiro. Ao longo dos últimos anos, o país demonstrou habilidade em redirecionar fluxos comerciais, reduzindo a dependência direta do mercado norte-americano.
Os dados corroboram essa visão. Enquanto no segundo semestre do ano passado a pressão tarifária efetiva sobre os produtos brasileiros atingiu cerca de 30%, a projeção atual, considerando as novas medidas e as isenções previstas, situa a cobrança média em torno de 20%. Essa realocação de destinos para as exportações tem sido um pilar importante para amortecer os efeitos das políticas protecionistas vindas de Washington.
Geopolítica e a neblina nos investimentos
Apesar da menor preocupação com as tarifas, o cenário macroeconômico permanece complexo. O Itaú utiliza a metáfora de uma “estrada com neblina” para descrever o ambiente atual, marcado por incertezas geopolíticas, especialmente devido ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Essa instabilidade no Oriente Médio impacta diretamente a cotação do petróleo, uma variável central para a inflação global.
A volatilidade do barril de óleo bruto forçou uma revisão nas projeções de inflação do banco. A estimativa para o IPCA de 2026 subiu de 3,8% para 5,4%, com o petróleo respondendo por uma parcela significativa desse ajuste. Consequentemente, o Copom deve encontrar pouco espaço para flexibilização monetária, com a expectativa de apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em agosto, elevando os juros a 14% ao ano.
O cenário é agravado pela política monetária do Federal Reserve (Fed). A previsão de dois aumentos de juros nos EUA no segundo semestre de 2026 tende a fortalecer o dólar globalmente, pressionando o câmbio brasileiro. A estimativa do Itaú é que a moeda norte-americana encerre o ano cotada a R$ 5,30.
Desafios fiscais e o horizonte eleitoral
Internamente, a cautela também é a palavra de ordem. A proximidade das eleições presidenciais de outubro adiciona uma camada extra de volatilidade ao mercado, com reflexos diretos na cotação da moeda e no comportamento dos investidores. O banco ressalta que, embora o Brasil esteja em uma posição relativa favorável frente a outros mercados emergentes, o controle das contas públicas é o grande desafio para o próximo ciclo administrativo.
Schneider reforça que o crescimento econômico atual não exclui a necessidade de um debate urgente sobre o equilíbrio fiscal. Independentemente do resultado das urnas, a gestão dos gastos públicos será o fiel da balança para a sustentabilidade do crescimento a longo prazo. Acompanhe as análises completas do Itaú aqui.
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Fonte: seudinheiro.com
