Inter registra lucro recorde de R$ 421 milhões e aposta em estratégia de crédito arrojada

Inter registra lucro recorde de R$ 421 milhões e aposta em estratégia de crédito arrojada

DESTAQUES Economia

O Banco Inter consolidou sua trajetória de expansão no segundo trimestre de 2026 (2T26), reportando um lucro líquido de R$ 421 milhões. O resultado representa uma alta de 33,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e marca o 13º trimestre consecutivo de crescimento nos ganhos da instituição. O desempenho financeiro reflete a resiliência do modelo de negócio do banco, que insiste em uma estratégia de crédito que, embora gere questionamentos sobre a inadimplência, tem se mostrado eficaz na busca por rentabilidade.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado atingiu 16,3%, superando o custo de capital e sinalizando uma gestão eficiente dos recursos. Em entrevista exclusiva ao portal Seu Dinheiro, o vice-presidente e diretor financeiro (CFO), Santiago Stel, destacou a consistência dos números apresentados. Com uma receita líquida de R$ 2,63 bilhões e uma base que alcançou 45,3 milhões de usuários, o banco busca equilibrar o crescimento acelerado com a eficiência operacional.

A busca pela meta de rentabilidade e a Regra dos 50

Inspirado por métricas de sucesso utilizadas no setor de tecnologia, o Inter estabeleceu internamente a chamada “Regra dos 50”. O objetivo é que a soma da taxa de crescimento da receita com a margem operacional atinja 50% até 2029. Para o CFO, essa meta é um desafio considerável, visto que o setor bancário lida com exigências regulatórias rigorosas e a necessidade constante de alocação de capital para sustentar a expansão.

A melhora no índice de eficiência, que fechou o trimestre em 42,1%, é apresentada pela diretoria como a prova de que o banco consegue escalar suas operações sem elevar os custos na mesma proporção. Segundo Stel, o negócio entrou em uma dinâmica de compounding, permitindo que o reinvestimento dos lucros gere valor crescente aos acionistas ao longo do tempo.

Gestão da inadimplência como alavanca de margem

Um dos pontos de maior atenção do mercado é o índice de inadimplência acima de 90 dias, que subiu de 5,1% para 5,3% no 2T26. Contudo, a administração do banco defende que este movimento é uma escolha deliberada. Ao priorizar produtos com margens superiores, como cartões de crédito e consignado privado, o banco aceita um risco maior em troca de uma rentabilidade mais robusta.

O executivo reforça que a carteira do Inter possui uma característica protetiva: cerca de 70% das operações contam com algum tipo de garantia. Essa estrutura, segundo o CFO, confere ao banco uma resiliência superior à média do mercado, permitindo que a margem financeira absorva o custo adicional do risco sem comprometer o lucro líquido final.

Oportunidades de mercado frente aos grandes bancos

Apesar do cenário macroeconômico marcado por juros elevados, o Inter enxerga seu porte atual como uma vantagem competitiva. Com cerca de 83% da carteira colateralizada de pessoa física ainda concentrada nos cinco maiores bancos do país, a instituição vê um vasto espaço para ganhar mercado. O foco permanece em produtos de crédito onde o banco detém vantagens estruturais, mantendo um crescimento anual da carteira na casa dos 30%.

O CFO também manifestou uma visão otimista sobre o Brasil, sugerindo que o pessimismo do mercado financeiro local pode estar superestimado. Para Stel, os fundamentos econômicos, como a inflação controlada e o déficit primário próximo de zero, indicam um ambiente mais sólido do que o percebido por parte dos investidores. O banco, por sua vez, mantém o foco na execução de sua estratégia, independentemente das oscilações externas.

Para acompanhar os desdobramentos deste balanço e as próximas movimentações do setor bancário, continue conectado ao Conexrs. Nosso compromisso é levar até você análises aprofundadas, dados relevantes e o contexto necessário para entender os rumos da economia brasileira e global.

Fonte: seudinheiro.com